Brasília - O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), anunciou ontem a retirada de sua pré-candidatura à Presidência da República. Ele disputava a indicação para a cabeça de chapa tucana com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). ''Deixo a condição de pré-candidato do PSDB à Presidência da República, mas não abandono as minhas convicções e minha disposição para colaborar com meu esforço e minha lealdade para a construção das bandeiras da social democracia brasileira'', disse Aécio.
O anúncio foi feito ao lado do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra. Aécio era um defensor das prévias dentro do partido para escolha do candidato tucano. Mas a ideia era rejeitada pelo grupo de Serra, que defende que a escolha seja feita somente em março.
Aécio criticou a estratégia do PT de mostrar o país dividido entre ricos e pobres no último programa eleitoral veiculado em cadeia de TV. ''Devemos estar preparados para responder à autoritária armadilha do confronto plebiscitário e ao discurso que perigosamente tenta dividir o país ao meio, entre bons e maus, entre ricos e pobres. Nossa tarefa não é dividir, é aproximar. E só aproximaremos os brasileiros uns dos outros através da diminuição das diferenças que nos separam'', diz ele na carta.
Aécio afirmou que o PSDB deve oferecer ao país uma proposta que unifique, em vez de dividir o país. ''Defendemos um projeto nacional mais amplo, generoso e democrático o suficiente para abrigar diferentes correntes do pensamento nacional. E, assim, oferecer ao país uma proposta reformadora e transformadora da realidade que, inclusive, supere e ultrapasse o antagonismo entre o ''nós e eles', que tanto atraso tem legado ao país.''
O mineiro também lamentou a não realização das prévias para escolha do candidato do PSDB à Presidência. ''Defendi as prévias como importante processo de revitalização da nossa prática política. Não as realizamos, como propus, seja por dificuldades operacionais de um partido de dimensão nacional, seja pela legítima opção da direção partidária pela busca de outras formas de decisão.''
Na carta, ele diz que sabia que o tempo para definição da candidatura tucana precisava ser fechado no final deste ano -o grupo do governador José Serra tenta adiar isso para março. ''Quando, em 28 de outubro, sinalizei o final do ano como último prazo para algumas decisões, simplesmente constatava que, a partir deste momento, o quadro eleitoral estaria começando a avançar em um ritmo e direção próprios, e a minha participação não poderia mais colaborar para a ampla convergência que buscava construir'', afirmou ele.
Serra
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), não quis comentar a desistência de Aécio depois de participar da entrega dos prêmios do Programa Nota Fiscal Paulista, na Secretaria da Fazenda do Estado. No começo da noite, porém, Serra divulgou nota à imprensa elogiando ''grandeza e despreendimento'' do governador mineiro. ''O governador Aécio Neves tem todas as condições para ser o candidato do nosso partido a presidente, por seu preparo, sua experiência política. (...) Não é por menos que seu governo é tão bem avaliado e que a imensa maioria dos mineiros o considera credenciado para ocupar a função mais alta da República'', diz Serra.

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