O presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves (PSDB), afirmou ontem, em Porto Alegre, que fará todos os esforços para ir além dos R$ 189,00 propostos pelo governo federal e chegar a uma proposta de salário mínimo de R$ 200,00 até a votação do orçamento, na próxima semana. ''Faremos uma radiografia profunda em todas as alternativas para identificar as fontes de financiamento que permitam chegar aos R$ 200,00'', declarou o parlamentar. ''Não é coisa simples, mas também não é impossível.''

Segundo Aécio, a votação do orçamento neste ano é uma ''prioridade absoluta'', ao lado da correção da tabela do Imposto de Renda. ''Há um avanço em relação a algumas semana atrás e minha expectativa é de que haja acordo para votarmos até o final do ano'', disse Aécio. O presidente da Câmara disse ainda que, entre fevereiro e junho de 2002, o governo deverá encaminhar ao Congresso sua proposta de reforma tributária.

O relator-geral do orçamento, deputado Sampaio Dória (PSDB-SP), vai propor hoje o corte de até 20% nas emendas dos parlamentares e de 3% nos gastos de custeio do Executivo, Legislativo e Judiciário no próximo ano para obter cerca de R$ 1,6 bilhão necessários ao reajuste do mínimo para cerca de R$ 200,00.

Para fechar o orçamento do próximo ano, será feita a reestimativa da arrecadação tributária e desvinculados temporariamente os recursos que serão arrecadados com a Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide). ''Da disposição dos parlamentares em cortar as emendas dependerá o novo valor do salário mínimo'', enfatizou Dória. Ele apresentará hoje à reunião do colégio de líderes da Câmara e Senado as projeções de ampliação de despesas da Previdência Social decorrente do mínimo de R$ 200,00 no lugar dos R$ 189,00 já previstos na proposta orçamentária.

O aumento de R$ 6,00 para R$ 195,00 custaria R$ 900 milhões, enquanto a elevação para R$ 200,00 exigiria mais R$ 1,650 bilhão. O impacto maior, de R$ 3,150 bilhões, é calculado para o mínimo de R$ 210,00. Hoje o piso salarial nacional é de R$ 180,00.

Dória também vai apresentar uma reestimativa da arrecadação de tributos no ano que vem e que elevará a receita do governo federal em torno de R$ 1 bilhão. As novas estimativas se basearam na diferença entre a inflação projetada para o segundo semestre deste ano e a efetivamente ocorrida.

No acumulado de 2001, o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI), utilizado para estimar as receitas tributárias, deverá ficar em 7,1% e não em 6% médios projetados anteriormente. A inflação maior eleva a base de preços sobre a qual é estimada a arrecadação que, em conseqência, também será superior.

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