Aécio chama Serra e Alckmin para discutir comando do PSDB
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terça-feira, 19 de março de 2013
Gabriela Guerreiro <br>Folhapress 
Brasília - Na tentativa de minar as resistências do PSDB paulista à sua eleição para a presidência nacional do partido, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) se encontrou com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e com o ex-governador José Serra para discutir o futuro do comando da sigla. Aécio esteve na noite de anteontem em São Paulo, onde se reuniu com Serra por três horas. Ontem, foi a vez de Alckmin conversar com o senador, cotado para ser o candidato do PSDB à Presidência da República em 2014.
O senador e governador deixaram o encontro afirmando que, até maio, irão encontrar uma saída para eleger uma ''boa direção partidária''. Aécio disse que o PSDB de São Paulo e Serra terão ''grande destaque'' no projeto da sigla. ''A minha convicção é que teremos o Serra não apenas dentro do projeto, mas com destaque nesse projeto'', afirmou. O senador disse que Serra não pediu cargos na futura executiva do PSDB, que será eleita na convenção marcada para maio.
Apesar de aliados de Aécio acusarem Serra de atuar nos bastidores contra a sua eleição, o senador negou divergências com o ex-governador. ''Ele está vivendo o tempo pós-eleição. Eu não vejo nenhuma movimentação do Serra. Foi uma conversa positiva, vamos ter outras pela frente.''
Aécio negou que Serra esteja disposto a se filiar a PPS. A mudança de sigla abriria caminho para o ex-governador apoiar a candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), ao Palácio do Planalto. ''Serra conversa com muita gente. Mas não há nenhum sinal de que ele vá (para o PPS). Não vejo nenhum movimento que o distancie do PSDB. Temos o mesmo objetivo em comum, de apresentar uma alternativa a esse modelo que está aí'', disse Aécio.
Em um recado para os seus desafetos dentro do PSDB, Aécio disse que ''as coisas vão se ajeitar no tempo certo a despeito da torcida contrária de muitos''. ''Estamos administrando o nosso tempo. No tempo certo, o Serra estará ao nosso lado'', afirmou o senador.
Apesar das resistências a sua indicação para substituir o deputado Sérgio Guerra na Presidência do PSDB, Aécio disse que seu nome ganhou ''consistência'' dentro do partido. ''Os estímulos são grandes, o que me tem feito pensar em algo mais institucional. Não é uma decisão tomada, mas ouço manifestações de que esse seria um caminho para a construção lá adiante'', afirmou.
Alckmin acertou com Aécio a participação conjunta em seminário do PSDB, em São Paulo, na próxima segunda-feira. Os dois combinaram de chegar juntos ao evento numa tentativa de demonstração de unidade da sigla.
Na semana passada, Alckmin manifestou sua discordância à eleição de Aécio para presidir o PSDB, durante jantar no apartamento do senador, em Brasília, diante de outros cinco governadores tucanos e dos principais dirigentes da sigla.
O governador disse, no jantar, que Aécio ''não precisaria'' presidir o PSDB para se viabilizar como candidato e sugeriu que a projeção que ele ganharia no cargo seria prejudicial para suas aspirações presidenciais, ao colocá-lo em atrito permanente com o governo. Ontem, publicamente, defendeu maior espaço para todas as tendências do PSDB na nova executiva nacional. Mas fez afagos ao senador mineiro. ''Temos dois meses para ter uma boa conversa e uma boa eleição. Há espaço para todos participarem. Temos dois meses para costurar isso. O Aécio é um grande nome, dos melhores dos quadros do PSDB.''
Alckmin defendeu que Campos e a ex-senadora Marina Silva lancem seus nomes na sucessão de Dilma Rousseff. ''A possibilidade da candidatura do Eduardo Campos, se confirmada, contribui para o país. Alguém preparado, governador duas vezes, com espírito público, eu acho que contribui para com o país. E a Marina também, a candidatura é importante porque acrescenta, agrega valor ao debate.'' Sobre a possibilidade de disputar a Presidência em 2014, Alckmin desconversou. ''Sou candidatíssimo a presidente do Santos Futebol Clube.''


