Aécio ataca Dilma após pronunciamento na TV
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Gabriela Guerreiro <br>Folhapress 
Brasília - Provável candidato do PSDB à Presidência da República em 2014, o senador Aécio Neves (MG) acusou ontem a presidente Dilma Rousseff de usar a máquina pública para fazer campanha política. Em nota, Aécio disse que a cadeia nacional de rádio e TV convocada anteontem para Dilma anunciar a redução na conta de luz comprova que a petista ''mistura o público com o particular''.
''Sem razão que justificasse a formação de uma rede nacional obrigatória, vimos a apropriação de um instrumento de Estado para fins político-partidários. Falou à nação não a presidente da República, mas um partido político, evidenciando, como nunca antes neste país, a mistura entre o público e o particular; o institucional e o partidário'', disse o senador. O tucano também afirmou que o uso da TV foi ''mais um exemplo inaceitável de como o PT usa, sem constrangimentos, estruturas de Estado para alcançar seus objetivos políticos''.
Na opinião de Aécio, o episódio vai se transformar em ''marco de quebra do princípio da impessoalidade no exercício da Presidência da República''. Mais cedo, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), divulgou nota em que acusa a petista de cometer a ''mais agressiva utilização do poder público'' para lançar sua candidatura à reeleição.
Guerra afirmou que Dilma faltou com a verdade ao longo dos mais de oito minutos de fala, ultrapassou ''um limite perigoso para a sobrevivência da jovem democracia brasileira'' e dividiu o Brasil entre ''nós e eles''. ''O país assistiu à mais agressiva utilização do poder público em favor de uma candidatura e de um partido político'', disse Guerra. ''A redução do valor das contas de luz, já prometida em rede nacional há quatro meses e alardeada em milionária campanha televisiva paga pelos contribuintes'', completou.
Assim como o PSDB, o presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), divulgou nota para criticar o anúncio de Dilma. Em um tom mais ameno, o democrata afirmou que a ''proclamada redução das tarifas de energia'' precisa ser algo permanente, embora o partido aplauda boas medidas adotadas no país.
''O que é bom para os brasileiros, a oposição aplaude. Mas a proclamada redução das tarifas de energia elétrica precisa acontecer e ter permanência'', afirmou.
Segundo Agripino, o anúncio da diminuição das tarifas ''deveria ter sido marcado pela cautela do que pelo exagero do desafio o qual o governo pode um dia se arrepender''. ''Deus queira que tudo dê certo'', completou.
Pronunciamento
No pronunciamento de rádio e televisão, a presidente Dilma Rousseff anunciou anteontem uma redução maior na tarifa de energia. Em sua fala, a presidente qualificou os críticos de pessimistas. ''Os últimos anos o time vencedor tem sido dos que têm fé e apostam no Brasil. Por temos vencido o pessimismo e os pessimistas, estamos vivendo um dos melhores momentos da nossa história'', disse Dilma.
Na declaração, a presidente criticou usinas controladas pelo PSDB que não renovaram as concessões e fez um ataque indireto aos tucanos afirmando que o país avança ''sem retrocessos''.


