Advogados tentam livrar doleiro da prisão
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terça-feira, 04 de novembro de 2003
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os advogados do doleiro e empresário londrinense Alberto Youssef irão ingressar com um pedido de habeas corpus a partir de amanhã para que a Justiça determine a libertação do doleiro, preso no domingo quando visitava o túmulo de sua mãe num cemitério em Londrina. Youssef foi transferido na tarde de domingo para a superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde encontra-se sob custódia. A prisão preventiva de Youssef foi pedida pelo Ministério Público Federal (MPF) baseada em uma investigação conduzida pela Receita Federal em Londrina e concluída por uma força-tarefa formada por procuradores e policiais federais que investigou a remessa ilegal de divisas para o exterior através das contas CC-5.
Youssef é acusado de movimentar cerca de US$ 3 milhões em uma conta de sua cunhada, Cristina Fernandes da Silva, na agência do Banestado em Nova York. A agência aparece nas investigações da força-tarefa como o principal destino dos cerca de US$ 35 bilhões que se estima que tenham sido enviados ao exterior ilegalmente. Além da movimentação no exterior, Youssef também é acusado de sonegar entre 1996 e 1999 um total de R$ 118 milhões em impostos que deveriam ter sido pagos pela Youssef Câmbio e Turismo, de propriedade do doleiro.
Segundo um dos advogados de Youssef, Antonio Figueiredo Basto, o pedido de habeas corpus será protocolado no Tribunal Regional Federal (TRF) em Porto Alegre depois de quarta-feira, quando o doleiro prestará depoimento à Justiça Federal. ''Nós tivemos acesso à documentação do processo, que é composta de 28 volumes, apenas ontem. Iremos nos preparar para a audiência, e depois entraremos com o pedido de habeas corpus. Não há motivo para a manutenção da prisão preventiva'', afirmou Basto.
O advogado João Gomes dos Santos Filho, que também defende Youssef, acredita que a expedição do mandado de prisão contra Youssef foi arbitrária. ''A prisão preventiva tem sido muito mal usada. Os juízes não estão mais levando em conta a natureza do fato, mas sim as características do autor. Se é alguém, como é o caso, que teve exposição na mídia, a prisão preventiva é decretada'', criticou Santos Filho.
O advogado lembrou que duas prisões preventivas expedidas anteriormente contra Youssef foram revogadas e criticou o momento escolhido para o cumprimento do mandado de prisão. ''Chegaram ao absurdo de dizer que ele estava foragido. Ora, na própria sexta-feira ele estava em Curitiba prestando depoimento à Justiça em outro caso, e a prisão poderia ter sido efetuada ali, e não no cemitério. Ele tem residência fixa e não interfere nas investigações, e por esses motivos iremos pedir o habeas corpus'', destacou Santos Filho.
O procurador Vladimir Aras, que atuou na força-tarefa que investigou as contas CC-5, afirmou que a prisão preventiva foi solicitada devido ao histórico de Youssef. ''Ele já foi acusado em processos que tramitaram na Justiça estadual de pressionar as testemunhas que iriam depor contra ele. Além disso, ele continua atuando no mercado de dólar e isso pode ser uma ameaça à ordem pública e econômica'', comentou Aras.


