Advogados rechaçam 'fatos novos' na Publicano 4
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sábado, 05 de dezembro de 2015
Edson Ferreira<br> Reportagem Local 
Para os advogados dos auditores fiscais da Receita Estadual investigados na quarta fase da Operação Publicano as prisões preventivas decretadas pelo juízo da 3ª Vara Criminal de Londrina são "abusivas" e "sem fundamentação legal". Eles contestam a existência de "fatos novos", argumento dos investigadores. Anteontem, foram cumpridos pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) 42 mandados de prisão e 52 de condução coercitiva no Paraná, São Paulo e Minas Gerais.
Procurados pela reportagem da FOLHA, os defensores também criticam o "estado de exceção" do sistema penitenciário na cidade, desde a rebelião ocorrida na unidade dois da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2). O local ainda não foi recuperado. A maioria dos presos pelo Gaeco foi levada à unidade um da PEL.
O advogado Mário Barbosa, que defende o ex-delegado da Receita em Londrina, Marcelo Muller Melle, já denunciado por suposta participação na organização criminosa, apresentou ao Judiciário pedido para que o cliente vá para prisão domiciliar. "Se existe a necessidade prisão preventiva, que ela seja nos termos da lei e não nos presídios que temos hoje em Londrina e no Estado. Essa situação acaba sendo uma pressão psicológica e até física para forçar uma delação premiada", criticou Barbosa.
O advogado Walter Bittar, autor de habeas corpus acolhidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em favor de vários investigados na Publicano, também criticou as prisões. "São abusivas e desrespeitam a decisão do STF." Segundo Bittar, a detenção no sistema prisional precário, "é uma forma de pressionar a fazer a delação premiada para referendar a delação feita pelo Luiz Antonio (principal delator, preso desde o mês de janeiro), que é fraca como prova".
Bittar citou ainda a nota da assessoria do Ministério Público (MP), que aponta "fatos criminosos ocorridos entre 2008 e 2014". "Como são fatos novos se já são conhecidos desde a primeira operação?", questionou o advogado. "Ninguém entre os investigados continua praticando delito."
Para o advogado Edgar Ehara, "o sistema carcerário não comporta esse volume de prisões". Ele informou que está recorrendo ao Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná contra a "ilegalidade das prisões". Ehara afirmou que a medida foi tomada em nome de "vários auditores", mas preferiu não revelar quais, "até em respeito a esse momento que estão passando".
Conforme o advogado, "uma das justificativas contra os auditores seria o risco de fuga, mas não há risco, pois nenhum deles sequer viajou ou se ausentou da comarca sem autorização prévia do juiz, respeitando as determinações tomadas anteriormente".
A reportagem também procurou a defesa do casal Marcio Albuquerque de Lima e Ana Paula Lima, mas um dos advogados da equipe afirmou apenas que tomará as "medidas cabíveis contra a prisão". Outros advogados foram procurados, mas não houve retorno. Também procurada, a diretoria da PEL 1 disse que não poderia passar informações sobre os presos. A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) não deu retorno.


