Curitiba – Os advogados do doleiro Alberto Youssef pediram à Justiça Federal a suspensão dos processos e inquéritos policiais referentes à Operação Lava Jato. O pedido se baseia no acordo de colaboração premiada firmado com o Ministério Público Federal (MPF), que prevê a suspensão das ações quando a soma das penas do doleiro atingir 30 anos.
Youssef foi condenado até o momento em quatro processos decorrentes da Lava Jato. A defesa leva em conta, ainda, uma condenação de setembro de 2014 pela atuação do doleiro em uma fraude no antigo Banco do Estado do Paraná (Banestado). O caso aconteceu em 1998, mas foi arquivado, pois à época Youssef havia feito um acordo de delação premiada com a Justiça. Porém, como a Lava Jato apontou a participação do doleiro em uma nova prática criminosa, o processo do Banestado foi reaberto e ele acabou condenado.
Até o momento as penas somam 43 anos, nove meses e dez dias de reclusão. A decisão sobre a suspensão dos processos cabe ao juiz federal Sérgio Moro. O doleiro ainda responde a pelo menos 14 ações na Justiça Federal. Destas, 12 são decorrentes da Lava Jato, e duas são do caso Banestado e foram reabertas pela quebra do acordo anterior.
"Está previsto no acordo e, sim, esperamos que as decisões sejam tomadas neste sentido. As punições dos outros crimes já estão embutidas dentro deste acordo. Agora, vamos aguardar a manifestação do Ministério Público Federal e da Justiça", ressaltou o advogado Antônio Figueiredo Basto.
Segundo ele, a colaboração de Youssef pode ser analisada como a melhor entre as quase trinta já fechadas com o MPF. "Ele repassou muita informação e deu detalhes sobre a atuação da organização criminosa. Seu depoimento foi praticamente uma espinha dorsal dentro das investigações", completou Basto.

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