Curitiba - Os advogados de defesa dos acusados no processo que investiga denúncia de escuta telefônica ilegal contra políticos, empresários e promotores de Justiça deverão pedir o desaforamento de Campo Largo para São José dos Pinhais. De acordo com o advogado Roberto Brzezinski Neto, os casos investigados não ocorreram em Campo Largo (Região Metropolitana de Curitiba) - o que tornaria inviável a oitiva dos réus no município.
''Pedirei em tempo devido os questionamentos do processo. Também devo pedir a anulação das provas. O Ministério Público não tem poder investigatório. Não poderia produzir provas'', avaliou o advogado, que defende o réu preso Juraci Pereira de Macedo (acusado de formação quadrilha armada e interceptações telefônicas clandestinas) e João Carlos de Almeida Formighieri (ex-diretor da Imprensa Oficial e acusado de interceptações telefônicas clandestinas).
Juraci foi um dos réus presos ouvidos ontem pelo juiz Gaspar Luiz de Mattos Araújo Filho. Juraci foi o único a relatar no Ministério Público (MP) estadual como funcionava o esquema de grampos supostamente comandado pelo policial civil Délcio Rasera (lotado na Assessoria Especial do Governo do Estado). Rasera também prestou depoimento na tarde de ontem e negou envolvimento no esquema dos grampos. O policial civil não falou com a imprensa. Segundo seu advogado de defesa, Luiz Fernando Comegno, que também prestou depoimento ontem, Rasera disse que não fazia escutas ilegais para o governo.
Todos os demais acusados negam as acusações. O primeiro a depor ontem foi o advogado criminalista Luiz Fernando Comegno, que defende Rasera e é acusado no processo como tendo encomendado uma escuta ilegal para o policial civil. Quatorze indiciados estão em liberdade.
Comegno fez um depoimento curto na parte da manhã, negando saber ou conhecer qualquer tipo de grampo ilegal no Paraná. Ele diz que o MP é autor ''da maior farsa jurídica'' da história do Estado. O promotor da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), João Milton Salles, negou que as provas tenham sido colhidas de forma ilegal.
''É importante a manutenção da preventiva pela gravidades dos fatos. Agora a revogação da prisão vai depender do comportamento deles aqui. Queremos colaboração. Temos provas e elas estão nos autos'', disse Salles.
O advogado Omar Elias Geha, que defende dois réus em liberdade, pediu ontem o adiamento do processo. O juiz negou o pedido.
A expectativa no fórum era que os depoimentos só terminassem por volta das 22 horas. (colaborou Maria Duarte)

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