Advogados e MP divergem sobre audiências
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sábado, 20 de fevereiro de 2016
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
Em lados opostos na Operação Publicano, advogados e Ministério Público (MP) fizeram avaliação absolutamente distinta acerca da primeira semana de audiências para ouvir testemunhas de acusação. Ao todo, 27 prestaram depoimento e 17 foram dispensadas pela promotora do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Leila Schimiti. O processo acusa 73 réus de integrar organização criminosa incrustada na Receita Estadual de Londrina, que cobrava propina de empresários para facilitar a sonegação fiscal.
O advogado Edgar Ehara, que representa três auditores, considerou "muito frágeis" as declarações das testemunhas de acusação. "Nada se confirmou, há muitas contradições, muitas testemunhas são de ouvir falar, não presenciaram nada", avaliou.
Walter Bittar, que também representa vários réus, fez avaliação semelhante ao colega. "Muitas coisas ficaram no ar e não foram respondidas. A defesa fez questão de questionar os depoentes para mostrar que tem mentira nas delações; tem delação que evidentemente foi feita para colocar réus em liberdade e que não foram confirmadas aqui; já tem contradição entre o que consta do inquérito e o que foi dito aqui", avaliou, questionando principalmente o depoimento do fotógrafo e ex-assessor no governo Beto Richa (PSDB), Marcelo Caramori, réu colaborador do MP que esqueceu muito do que havia declarado na fase do inquérito.
O advogado Eduardo Duarte Ferreira, defensor do principal delator o auditor Luiz Antonio de Souza e de outros réus, desconsiderou totalmente os depoimentos. "Esse processo, na parte de testemunhas, quer de acusação quer de defesa, não tem valia nenhuma. A prova maior que existe é a documental e também os depoimentos dos réus colaboradores. Eu acho que a prova testemunhal produzida pelo MP é de quase nenhuma valia", disse.
A promotora considerou a semana positiva e lembrou que ainda há testemunhas a serem ouvidas em outras comarcas, por carta precatória. Ela lembrou que casos de corrupção dificilmente deixam testemunhas a não ser quem estava envolvido diretamente no crime. "São poucas as situações de corrupção em que há participação de terceiras pessoas e essas pessoas que eventualmente tenham participado como terceiro, acabam sabendo das situações por intermédio de alguém que teve contato direito com os fatos. É natural que haja tipo de esquecimento ou que as pessoas não possam esclarecer circunstâncias muito específicas com relação aos fatos denunciados, valores número de parcelas, mas, de forma geral, os fatos que alegamos têm sido confirmados pelas testemunhas", disse a promotora.
Durante a próxima semana, serão ouvidas testemunhas arroladas pela defesa, que somam 187 pessoas considerando apenas as residentes em Londrina. A partir de 2 de março, começam os interrogatórios dos réus. Embora o depoimento de Luiz Antonio de Souza esteja marcado para 7 de março, é provável que haja inversão de datas e, em razão do conteúdo de suas declarações, ele seja o primeiro réu ouvido.


