São Paulo - O ex-prefeito Paulo Maluf e seu filho Flávio receberam ontem a visita de Jacqueline, mulher de Flávio, que é formada em advocacia. No sábado, ela também esteve na sede da Superintendência da PF.
Segundo José Roberto Batocchio, um dos advogados de defesa de Maluf e Flávio, Jacqueline chegou no início da tarde. Ele declarou também que seus clientes estão tranquilos, porém, com a estabilidade pessoal um pouco abalada. Ele e o advogado Ricardo Tosto conversaram cerca de duas horas com o ex-prefeito e seu filho. ''Uma situação como essa altera a instabilidade de qualquer pessoa, mas eles estão tranquilos sim, na medida do possível, e com o mesmo pensamento de que não irão fugir'', disse Batocchio referindo-se ao fato de Maluf ter se apresentado à PF espontaneamente.
Batocchio ainda reafirmou que a defesa de Maluf e Flávio necessita saber do conteúdo da denúncia que consta no processo de seus clientes, para entrar com o pedido de habeas corpus na subsecretaria da terceira turma do Tribunal Regional Federal (TRF).
''Para dizer a verdade, nem mesmo ao teor do pedido da prisão preventiva tivemos acesso. Não sabemos o que o Ministério Público e o que a juíza escreveu no processo. Mas parece que defesa é crime no Brasil'', disse Batocchio. Segundo ele, a intenção da defesa de Maluf e Flávio é apenas ''exercer o direito constitucional de tomar conhecimento da acusação de seus clientes''.
A demora na entrada do pedido de habeas corpus pode ser uma tática dos advogados para fundamentar melhor a defesa. No sábado, os advogados disseram entender que ''as prisões não tiveram fundamentos jurídicos''. O processo, que corre em segredo de Justiça, conforme informou a assessoria da Justiça Federal, encontra-se na secretaria do Fórum Federal Criminal do bairro Cerqueira Cesar (zona oeste) e só poderá ser consultado hoje.
Assim que solicitado, o habeas corpus de Maluf e Flávio deverá seguir para a subsecretaria da terceira turma do Tribunal Regional Federal (TRF), que encaminhará o pedido para avaliação do desembargador Márcio Moraes.
Paulo Maluf e o filho tiveram a prisão preventiva decretada na noite de ontem pela juíza da 2 Vara Federal de São Paulo, Sílvia Maria Rocha, que entendeu que, em liberdade, os Maluf poderiam atrapalhar o período de instrução penal, quando são ouvidas as testemunhas de acusação e de defesa. Ambos são reús em um processo penal por acusação de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção passiva e formação de quadrilha. A soma das penas mínimas desses crimes é de oito anos.
Pai e filho foram flagrados em escutas telefônicas tentando impedir o depoimento do doleiro Vivaldo Alves, conhecido como Birigui, à Polícia Federal. Birigui, que também é réu no processo criminal, acusado também pelos quatro crimes, confessou ter movimentado aproximadamente US$ 161 milhões do ex-prefeito no exterior, recebeu diversos telefonemas de Flávio. Pelas conversas gravadas, a juíza federal entendeu que os Maluf tentaram convencer o doleiro a não depor na Polícia Federal.

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