São Paulo - Sem rebater as principais acusações sobre pagamentos de propina na Suíça, os advogados de Marcelo Odebrecht, Nabor Bulhões e Dora Cavalcanti, apresentaram à Justiça na segunda-feira a primeira defesa do empreiteiro. No documento, eles fazem duras críticas ao juiz federal Sérgio Moro, afirmando que ele "usurpou" a competência do Supremo Tribunal Federal (STF), e aos procuradores da Operação Lava Jato, apontados como responsáveis por "publicidade opressiva". Moro é acusado pela defesa de Odebrecht de ter violado a competência do STF por, segundo os advogados, o próprio juiz ter decidido que o caso deveria ficar com a Justiça Federal do Paraná. Esse papel, segundo a defesa, deveria ter sido feito pelo STF porque os investigados citaram o envolvimento de congressistas, que só podem ser investigados pela instância máxima da Justiça no Brasil. Segundo denúncia do MP, a empreiteira Odebrecht mantinha contas na Suíça pelas quais eram feitos pagamentos de propina a dirigentes da Petrobras, como o ex-diretor Paulo Roberto Costa. O juiz teria demonstrado prejulgamento, segundo a defesa da empreiteira, quando escreveu numa decisão que "a única alternativa à prisão para eles seria o reconhecimento e a confissão de suas culpas e a assunção de suas responsabilidades". No mesmo documento, foram listadas 34 pessoas que devem ser ouvidas como testemunhas, incluindo o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli e o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf.

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