O vice-presidente da subseção regional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Londrina, advogado empresarial Elizandro Pellin, diverge sobre as possibilidades de interpretação às condutas de empresários que teriam pago propina a vereadores de Londrina para aprovação de projetos de lei que os beneficiassem. Ele defende que a situação - a qual ''acompanha somente pela imprensa e não pelos autos'' - tipifica casos de corrupção, não de concussão, ''com o corruptor ativo e o corrompido''.
''Neste caso, consta que empresários pagaram para obter vantagens. Pelas circunstâncias que acompanhei, não figura a concussão, mas a corrupção. Pode até ser legítimo procurar a Câmara para pedir uma mudança de zoneamento, por exemplo, mas pagar a propina indevida, ao invés de denunciá-la, a menos que fossem forçados a esse tipo de pagamento, aí não tem como pensar em concussão'', acredita Pellin. Conforme o advogado, ''é preocupante'' o tratamento dado aos empresários, no curso das investigações. ''Precisa se analisar a fundo essa participação, pois hoje, o que acontece, é que o Ministério Público propõe a delação premiada e tenta beneficiar uma parte que eventualmente poderia responder criminalmente, abrandando essa participação (de empresários, para a prática do crime) e a classificando como uma 'colaboração''.
Em linha de raciocínio semelhante a dos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), outro advogado, Bruno Pedalino, defende que o escândalo que recheou o noticiário político local, nos últimos meses, é um exemplo claro de concussão - e como tal - os supostos achacados nada mais seriam que vítimas.
Ele pondera, entretanto, que ''aquela parte da sociedade que insiste em caracterizar esse crime como de de corrupção, na realidade, tem outro raciocínio de bastidor: o de que há, na verdade, o corrupto e o corruptor. Entretanto, isso faz com que os corrompidos se protejam, pois é obvio que ninguém denuncia sendo corruptor ativo; fica uma situação muito cômoda para o político, pois ele tem nessa omissão uma espécie de aliada'', sustenta. ''E tem outro aspecto: sabemos que há em Londrina esse comportamento - pagar para trazer um direito seu. Esse histórico todo e essa situação fazem com que os empresários não denunciem, pois têm medo de represálias, mas se não o faz nunca, aí sim ele é cúmplice também''.

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