Advogados de Roseana não mostram lista de doadores
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segunda-feira, 08 de abril de 2002
Agência Estado Agência Folha 
Brasília - Os advogados da Lunus Serviços e Participações, empresa de propriedade da ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (PFL) e de seu marido Jorge Murad, adiaram para hoje a entrega ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) da lista com os supostos doadores de R$ 1,34 milhão, dinheiro apreendido na empresa pela Polícia Federal no início de março. O advogado de Roseana, Antonio Carlos de Almeida Castro, disse que não teria tempo hábil de encaminhar ontem a documentação, como havia prometido, porque teve que viajar às pressas para São Luís por causa da notícia de que a ex-governadora foi intimada a depor na Polícia Federal (PF) no dia 17.
O superintendente da PF do Maranhão, Augusto Serra Pinto, disse ontem à noite que o depoimento deverá ser feito em outra data, porque Roseana se recusou a assinar a intimação.
Pré-candidata à presidência da República pelo PFL, Roseana terá de prestar esclarecimentos à PF no inquérito sobre fraudes na liberação de recursos da extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) para a Usimar Componentes Automotivos no valor de R$ 44 milhões. O dinheiro seria usado para a construção de uma fábrica no Maranhão, mas o projeto não saiu do papel.
De acordo com Almeida Castro, Roseana e seu marido Jorge Murad, também suspeito de participar do esquema irregular, têm todo interesse em esclarecer as autoridades competentes sobre quaisquer fatos que ora estejam sobre indagação.
Nomeação
Jorge Murad foi nomeado ontem para o cargo de gerente de Ciência e Tecnologia do Maranhão, O posto garantirá a ele e à sua mulher, foro especial na apuração de irregularidades.
Enquanto Murad estiver no cargo de gerente, correspondente ao de secretário de Estado, um eventual processo contra o casal terá de tramitar necessariamente na segunda instância, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, com sede em Brasília.
Até o dia 5, quando renunciou ao governo para poder se candidatar, Roseana tinha outro foro assegurado: o STJ, órgão responsável por julgar governadores acusados de praticar crimes.
O foro especial tira o poder de atuação do procurador da República Mário Lúcio Avelar e de juízes federais no Tocantins e no Maranhão.
O presidente do TRF, juiz Fernando Tourinho Neto, disse que o foro não implicará em proteção à ex-governadora. A Justiça Federal é uma só.


