Advogados de Requião pedem perícia em urnas de Curitiba
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segunda-feira, 05 de outubro de 1998
Leandro Donatti 
A equipe jurídica do senador Roberto Requião (PMDB) ajuizou ontem à tarde dez pedidos de perícia para a verificação de urnas eletrônicas instaladas em dez zonas eleitorais. Os advogados do senador suspeitam de fraude ou de alguma falha técnica. Algumas urnas apresentaram coincidência de votos e outras tiveram mais de 500 eleitores, o que é proibido, alegou Mozarte de Quadros, o responsável pelo protocolo dos pedidos, junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná, com sede em Curitiba.
As urnas 206 e 208 da 2ª Zona Eleitoral, por exemplo, apresentaram o mesmo número de votantes: 475. Em cada uma, Lerner teve 286 votos; Requião, 124; e Júlio de Jesus (PSTU), dois. Este tipo de coincidência deixa claro que há alguma coisa estranha nessas eleições, sugeriu o advogado. Na zona 174, aconteceu coisa mais incrível: Lerner conseguiu a mesma votação em quatro urnas: 226 cada uma, informou, com base nas informações colhidas pelo PMDB durante a apuração paralela.
Requião disse ontem pela manhã, por telefone, que a vitória do governador Jaime Lerner (PFL) nas urnas não representou uma derrota pessoal mas uma nova perda para o povo do Paraná. Eu tinha muitos votos. Pensei que os paranaenses iriam abrir os olhos e condenar as denúncias que fizemos durante a campanha. O gasto de R$ 334 milhões com publicidade e propaganda é um escândalo. Mas, não adiantou. Está consagrada a gastança a partir de hoje, declarou o senador, que passou o dia em casa, acompanhando a totalização dos votos.
Requião disse que as pesquisas de última hora induziram os eleitores a votar em Lerner, apontado como o primeiro colocado com uma folga de até 18%. Os prefeitos que estavam do meu lado mudaram por causa disso. Um esquema estava montado. Isso foi desmascarado com a abertura das primeiras urnas, sinalizando que a minha desvantagem era menor que 10 pontos. Tenho convicção de que não fui eu quem perdeu, mas o Paraná, reforçou. Requião, que tem ainda mais quatro anos de mandato, disse que pretende retornar ainda esta semana para Brasília.
Para o senador, o segundo mandato de Lerner vai consolidar o que ele considera pura dilapidação dos cofres públicos. Aguardem a venda do Banestado, da Copel, a criação e distribuição de novas secretarias de Estado, por critérios políticos, e muito mais, afirmou. Requião reclamou mais uma vez da pouca estrutura financeira de que dispunha durante a campanha. Eu não tinha recursos. A campanha do Rafael Greca, por exemplo, foi no mínimo 20 vezes mais cara que a minha, disse.
Pela manhã, quando 50% das urnas já haviam sido apuradas, Requião já começava a admitir a uma derrota, para, à tarde, mudar de idéia. Acho difícil uma reversão. Eu quase me elegi com apenas cinco prefeitos. Mas vou esperar até a última urna, afirmou. Requião condenou o instituto da reeleição, que permitiu a recondução do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), dos governadores de Estado e em 2002, dos prefeitos. É a institucionalização do uso da máquina, classificou. Ele disse que não pretende propor mexidas na emenda, porque o Congresso apóia a reeleição em peso.
À tarde, os aliados de Requião anunciavam que a apuração paralela feita pela organização da campanha informava que o senador venceria por vantagem de 310 mil votos. Segundo eles, a vitória de Requião se confirmaria nas urnas de 300 municípios do Estado, que, ao todo, englobam 3,5 milhões de votos. Diante dessa projeção otimista, embora contestada por todas as pesquisas oficiais, o candiato das oposiçõe voltou a ter esperanças. Vou até o último voto e tenho certeza que a vitória seria minha, assinalou, via assessoria.


