Advogados de empresário contestam prova do MPE sobre morte de Daniel
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domingo, 18 de janeiro de 2004
Fabio Diamantee Fausto Macedo<br>Agência Estado 
São Paulo Para os criminalistas Roberto Podval e Adriano Salles Vanni, defensores do empresário Sérgio Gomes da Silva, a prova apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPE) na denúncia ''não se sustenta''. Os advogados apostam em habeas corpus impetrado no Tribunal de Justiça (TJ) para tentar libertar o empresário. O pedido foi distribuído para o desembargador Celso Limongi.
Vanni considera que os promotores criminais que investigam o sequestro e morte do prefeito Celso Daniel ''não possuem provas suficientes'' sequer para suspeitar do empresário. Recolhido à uma cela na Cadeia de Juquitiba, Gomes se mantém em silêncio. ''Não há mais o que dizer aos jornais; ele já falou, chorou e demonstrou toda indignação com o que vem sofrendo'', disse Vanni.
''Você já viu algum executor ser preso e não entregar o mandante? Você já viu alguma pessoa pagar para matar uma pessoa e se colocar na cena do crime? Você já viu alguém contratar sete pessoas pra matar uma outra?'', questionou Vanni. Ele criticou as investigações conduzidas por membros do Ministério Público - uma das linhas da defesa para tentar anular a prova.
Os promotores, no entanto, garantem que a polícia participou da coleta de diversos depoimentos. Podval critica o silêncio da polícia paulista - que havia concluído a investigação do caso como um crime comum. Para a polícia, Celso Daniel foi sequestrado ''por acaso''.
''Dois importantes departamentos da polícia, o DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) e Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado) tiveram conclusões absolutamente diferentes da que foi apresentada pelo Ministério Público. Onde estão os delegados e o secretário da Segurança Pública que não defendem seu próprio trabalho?'', questionou Podval.
O advogado critica a decisão judicial que determinou a prisão de Gomes, embasada no ''clamor público''. ''Isso é um total absurdo. O MP planta esse clamor público, vazando informações antes e realizando entrevista coletiva para anunciar a denúncia.''


