Advogados criticam apuração do Cenipa
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Reynaldo Turollo Jr.<br>Folhapress 
São Paulo - Os advogados contratados pelas famílias dos pilotos do voo em que morreram o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e mais seis pessoas, em agosto de 2014, criticaram ontem a conclusão da investigação da Aeronáutica, que atribuiu o acidente a erros dos pilotos. Eles pretendem processar a fabricante do avião. Para os advogados, que fizeram uma investigação paralela com o auxílio do perito Carlos Camacho, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) não foi transparente durante a apuração e focou-se somente na tese da falha humana, omitindo-se quanto às "questões materiais" do tipo do avião, um Cessna Citation modelo 560 XLS+.
O advogado Ruben Seidl apontou dois pontos que considerou problemáticos na investigação oficial: 1) o Cenipa não utilizou um simulador para reconstituir o acidente e 2) deixou de analisar incidentes e acidentes ocorridos com a mesma família de aviões no Brasil e no mundo. "[Tenho] Absoluta convicção de que foi uma falha técnica", afirmou o comandante Camacho, que disse ter realizado testes, em meados de 2015, com um simulador nos Estados Unidos.
De acordo com o especialista, a própria fabricante pôs no manual da aeronave um aviso de que, em certas condições, o "speed sensor" (sensor de velocidade) pode falhar, mudando a posição do estabilizador horizontal (estrutura na parte posterior), fazendo o avião cair. Esse aviso da própria Cessna, segundo Camacho, foi desconsiderado pelo Cenipa.
Segundo ele, ao contrário do que concluiu o órgão oficial, os pilotos não estavam desorientados espacialmente nem haviam perdido o controle, pois há imagens que mostram que, antes do choque com o solo, o "nariz" da aeronave tentava subir -o que demonstraria que o piloto estava no comando. Camacho também rechaçou as afirmações do Cenipa de que os pilotos não tinham treinamento ou estavam cansados. Segundo ele, os profissionais já tinham realizado no mínimo 90 pousos e decolagens com aquele modelo de avião e haviam, no dia anterior ao acidente, descansado por 34 horas. O perito e os advogados afirmaram ainda que há registros de ao menos dois incidentes com o mesmo modelo de avião.
Os advogados das famílias dos pilotos, Seidl e Josmeyr Oliveira, disseram que vão processar a Cessna na Justiça dos Estados Unidos.


