Esperado para depor ontem na Comissão Processante (CP) contra o ex-vereador Orlando Bonilha (PR), o também ex-vereador - e, assim como ele, réu em processo criminal por supostos crimes de concussão e formação de quadrilha - Henrique Barros (sem partido) não apenas se ausentou da reunião como reafirmou o teor do depoimento ao juiz da 3 Vara Criminal, Marcos José Vieira, no último dia 7, no qual arguira suposta coação dos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). À parte disso, tanto o advogado de Barros, Antônio Carlos Coelho Mendes, quanto o de Bonilha, Ronaldo Neves, definiram como ''ilícitas'' (nas palavras de Mendes) ou ''clandestinas'' (nas de Neves) as gravações cedidas anteontem pela Justiça feitas pelo Gaeco no dia da prisão em flagrante do ex-peemedebista. Na ocasião, Barros fora preso de posse de R$ 9,8 mil que, em depoimento ao delegado Ernandes César Alves, dia 9 de janeiro, alegou serem oriundos de propina paga por empresários para que projetos de lei dos quais fora o ''facilitador'', na Casa, fossem agilizados, aprovados ou não sofressem retaliações.
O conteúdo das filmagens está em três DVDs disponibilizados pelo juiz da 3 Criminal à imprensa, anteontem, e contraria a versão de Barros ao magistrado reforçada ontem à CP - a de que teria sido coagido a expor o nome de mais vereadores que comporiam eventual esquema de arrecadação e distribuição de propina. Bonilha, conforme o depoimento de Barros, seria o centralizador de suposto grupo - daí a abertura de processo político contra ele, na Casa. Apesar de denunciados pelo Gaeco, Osvaldo Bergamin (PMDB), Renato Araújo (PP) e Flávio Vedoato (PSC) acabaram absolvidos pela Comissão de Ética.
O advogado do ex-vereador apresentou ofício - cujo teor ele não revelou; só o presidente da CP, Tercílio Turini (PPS), o fez - assinado por Barros e no qual, além de salientar o teor do interrogatório (ele anexou cópia do CD com imagens do depoimento ao juiz) alegando viagem para ''trato de assuntos particulares''. Sobre as imagens anexadas ao processo, pelo Gaeco, Coelho Mendes definiu que ''não há contradição'' com o exposto ao magistrado - uma vez que Barros, no Gaeco, se mostra à vontade e diz querer ''ser parceiro'' dos promotores, nas investigações. ''Para nós, se trata de material ilícito - mas isso será esclarecido somente no processo'', resumiu. Adiante, avaliou a defesa do vereador como uma ''batalha jurídica considerável'' e disse que vai se manifestar ao juiz a respeito das gravações, conforme solicitado por Vieira ontem.
Já o advogado de Bonilha sustentou que, para a defesa do cliente, continua valendo o manuscrito assinado por Barros, em janeiro, no qual negara o teor do depoimento. ''Para mim, essa retratação basta, assim como o depoimento do Henrique ao juiz. Além do mais, essas imagens são absolutamente clandestinas, pois a câmera estava colocada em circunstâncias nas quais o interrogado não tinha conhecimento dela - isso, no direito penal, constitui-se nulidade da prova'', considerou. Adiante, Neves sugeriu que houvera edição nas imagens e que Barros teria sido coagido pelos promotores em oportunidades não captadas pelas câmeras.
O promotor Cláudio Esteves rechaçou as declarações. ''A afirmação é leviana, mesmo porque não houve edição, tampouco as filmagens foram feitas para fins de prova - foram apenas para asseverar a lisura do processo'', declarou. ''Isso chega a ser afrontoso e ofensivo ao Ministério Público'', encerrou.
O presidente da CP disse que espera para terça ou quarta a resposta do advogado de Barros para depoimento. Caso contrário, avisou, a comissão o intimará judicialmente. ''Negamos esse pedido de hoje (ontem) da defesa do Henrique (ontem) porque há muitas contradições e nosso relatório final precisa que elas sejam esclarecidas.''

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