Advogado tenta reduzir supersalários da Sanepar
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quinta-feira, 31 de julho de 2003
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Apesar da intenção do governo estadual em combater os supersalários na administração pública, alguns órgãos da administração indireta pagam salários maiores do que os do próprio governador Roberto Requião (PMDB). Na Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), por exemplo, um reajuste concedido em junho elevou o salário do diretor-presidente da companhia, Caio Brandão, para R$ 16,4 mil. Se somado aos R$ 3,3 mil mensais a que Brandão tem direito por verba de representação, a verba mensal recebida pelo presidente é maior do que o salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), cargo que dá direito ao maior vencimento entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
O ex-secretário do governo Jaime Lerner José Cid Campêlo Filho, que frequentemente tem ingressado com ações contra o governo Requião, ajuizou na quarta-feira uma ação popular para que sejam reduzidos os salários do diretor-presidente da Sanepar e de seis outros diretores da empresa. Na ação, Campêlo qualifica a alta remuneração dos diretores da Sanepar como ''lesiva ao patrimônio público'' e ''imoral''. Cada diretor recebe R$ 13,1 mil mensalmente. Campêlo propõe que o salário do presidente não supere o de um desembargador de Justiça (R$ 15,5 mil) e o dos outros diretores não exceda o de um secretário de Estado (cerca de R$ 4,6 mil).
Os salários dos diretores foram reajustados em 17,66% após uma reunião do Conselho de Administração da Sanepar realizada no dia 10 de junho. Segundo a assessoria da Sanepar, os vencimentos dos diretores já haviam sido estipulados na gestão anterior, tendo apenas recebido o mesmo índice de reajuste que foi concedido aos demais funcionários da empresa através do dissídio coletivo. A reportagem da Folha tentou entrar em contato com Brandão, mas foi informada que o diretor-presidente só se pronunciará após ser notificado da ação.


