São Paulo - O advogado Roberto Podval, defensor do empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de ser o mandante da morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel (PT), ocorrido em janeiro de 2002, anunciou ontem que na próxima segunda-feira protocolará habeas corpus no Tribunal de Justiça em favor de seu cliente. O recurso objetivará ''trancar'' (arquivar) processo instaurado contra Sombra, anteontem, na 1 Vara de Itapecirica da Serra.
O alvo será a decisão do juiz Luiz Fernando Migliori Prestes que aceitou integralmente ''ato que implica na imediata instauração de ação penal'' de denúncia apresentada pelo Ministério Público contra o empresário, por homicídio triplamente qualificado. Trata-se de crime considerado hediondo com pena variável de 12 a 30 anos de reclusão, em regime integralmente fechado, sem direito a qualquer benefício.
Podval adiantou que vai ressaltar no habeas corpus a ''absoluta falta de legitimidade do Ministério Público para fazer investigações a portas fechadas, em seu próprio gabinete''. Para o advogado do empresário, o trabalho dos promotores não acrescentou nada de novo às investigações realizadas anteriormente pela Polícia Federal e pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que, na sua avaliação, não concluiu nada de positivo contra seu cliente.
Pelo menos um assunto incomodou muito o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no seu regresso ontem a Brasília, depois de uma viagem de nove dias ao Oriente Médio: a decretação da prisão do empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de ter sido o mandante do sequestro e da morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel (PT), em janeiro de 2002. Este é um tema ''muito polêmico'' e também considerado ''muito delicado'' por integrantes do governo, que evitam fazer qualquer comentário sobre o assunto, sob a alegação de que este não é um tema para ser tratado pelo Palácio do Planalto.

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