Advogado se coloca 'à disposição' de corretor
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quarta-feira, 16 de abril de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Se o corretor de automóveis José Pinheiro Filho, o ''Maringá'', quiser, o advogado do ex-vereador Orlando Bonilha (PR), Ronaldo Neves, se coloca ''à disposição dele'' para protocolar na Câmara Municipal de Londrina qualquer pedido de investigação que julgar necessário contra membros do Plenário - não a ''excrescência'' que gerou, dentro do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), toda uma investigação por suposta falsidade ideológica, em inquérito instaurado semana passada.
Foi essa ontem a reação de Neves ao ser indagado pela primeira vez, em público, sobre a suposta participação dele e de Bonilha na representação que Maringá protocolara na Câmara dia 14 de março - uma semana antes da renúncia do vereador - pedindo a cassação do mandato de oito parlamentares. O documento, que acabou rejeitado pela assessoria jurídica legislativa por falta de indícios consistentes de provas contra os citados, se baseava em uma lista apresentada ao Gaeco pelo empresário Marcelo Caldarelli em fevereiro, quando começaram as investigações sobre suposto pagamento de propina pela doação de um terreno público, em dezembro de 2005.
Em depoimento ao delegado Alan Flore, Maringá declarou não saber ler nem escrever - saberia apenas assinar o nome - e ter sido de Bonilha e de Neves a suposta autoria da representação. Para isso, completou, teria sido convidado pelo vereador a participar de uma reunião no escritório do advogado, onde teria assinado o ofício, já pronto, supostamente trazido pelas mãos de Neves.
''Coloco-me à disposição do Maringá para fazer um documento correto, pois, como cidadão, acho que esses fatos têm que ser apurados em relação a todos os vereadores citados; não só dois ou três. Quem garante que (um empresário), fazendo acerto com três vereadores, terá uma lei pronta? Ele precisa de uma maioria às vezes até qualificada, e até de sanção do prefeito'', afirmou.
Por outro lado, Neves rebateu: ''Acredito que ele está longe de ser analfabeto, mas isso não é relevante para mim, pois não tive qualquer tipo de tratativa no sentido de minutar esse documento, essa besteira jurídica.''


