Maringá - O advogado Israel Batista de Moura disse ontem que vai interpelar judicialmente o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e a Câmara de Vereadores de Maringá no processo criminal que apura desvios de R$ 1,8 milhão da Prefeitura de Maringá. Moura defende os servidores Jorge Aparecido Sossai e Rosemeire Castelhano Barbosa, acusados de envolvimento nos desvios juntos com o ex-prefeito Jairo Gianoto e o ex-secretário de Fazenda Luiz Antônio Paolicchi.
Para o advogado, a interpelação do TC e da Câmara tem como objetivo derrubar a tese de que Sossai e Rosimeire, como servidores, tinham conhecimento dos desvios em Maringá. ‘‘As contas do município foram aprovadas pelo mesmo tribunal que só depois das denúncias conseguiu constatar irregularidades’’, afirma Moura. ‘‘O mesmo ocorre com os vereadores, cuja função primordial é a de fiscalizar o Executivo’’, completou.
Sossai e Rosimeire participaram ontem do interrogatório na Vara Criminal da Justiça Federal de Maringá. Os servidores afirmaram que não tinham conhecimento do destino dos cheques endossados por eles e emitidos em favor do próprio município. O procedimento garantia o saque de dinheiro de contas da prefeitura sem contrapartida. Sossai atuava como diretor de Fazenda e Rosimeire como tesoureira.
Os servidores disseram que agiam sempre a mando de Paolicchi. Rosimeire contou que as justificativas nas ordens de pagamento para dar saída dos cheques eram feitas pelo ex-secretário, dias depois da emissão e sempre com base em despesas da Copel.
Segundo o advogado de defesa, os servidores eram subalternos e não questionavam Paolicchi sobre o destino dos cheques. ‘‘Se os desvios de fato ocorriam, eram feitos a partir do alto escalão, ou seja, a partir do secretário de Fazenda’’, afirma Moura. ‘‘A função dos dois (Sossai e Rosimeire) era meramente burocrática’’, diz o advogado.
A assessoria do TC informou ontem que a presidência do tribunal respeita o direito do advogado e que o órgão vai responder o que for solicitado judicialmente. O pedido de interpelação pode não ser aceito pelo juiz do processo. Segundo a assessoria, se o TC tivesse o mesmo poder do Ministério Público – de pedir a quebra de sigilo bancário dos dirigentes municipais – os resultados das auditorias seriam diferentes.
A Folha tentou localizar o vereador João ‘‘Jonh’’ Alves Correa (PMDB), presidente da Câmara na ocasião dos desvios. O vereador não estava no gabinete e também não atendeu as ligações pelo celular.

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