Advogado questiona TCE no caso Paolicchi
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sábado, 09 de fevereiro de 2002
Marta MedeirosEquipe da Folha 
Maringá - O advogado Israel Batista de Moura disse ontem que vai interpelar judicialmente o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e a Câmara de Vereadores de Maringá no processo criminal que apura desvios de R$ 1,8 milhão da Prefeitura de Maringá. Moura defende os servidores Jorge Aparecido Sossai e Rosemeire Castelhano Barbosa, acusados de envolvimento nos desvios juntos com o ex-prefeito Jairo Gianoto e o ex-secretário de Fazenda Luiz Antônio Paolicchi.
Para o advogado, a interpelação do TC e da Câmara tem como objetivo derrubar a tese de que Sossai e Rosimeire, como servidores, tinham conhecimento dos desvios em Maringá. As contas do município foram aprovadas pelo mesmo tribunal que só depois das denúncias conseguiu constatar irregularidades, afirma Moura. O mesmo ocorre com os vereadores, cuja função primordial é a de fiscalizar o Executivo, completou.
Sossai e Rosimeire participaram ontem do interrogatório na Vara Criminal da Justiça Federal de Maringá. Os servidores afirmaram que não tinham conhecimento do destino dos cheques endossados por eles e emitidos em favor do próprio município. O procedimento garantia o saque de dinheiro de contas da prefeitura sem contrapartida. Sossai atuava como diretor de Fazenda e Rosimeire como tesoureira.
Os servidores disseram que agiam sempre a mando de Paolicchi. Rosimeire contou que as justificativas nas ordens de pagamento para dar saída dos cheques eram feitas pelo ex-secretário, dias depois da emissão e sempre com base em despesas da Copel.
Segundo o advogado de defesa, os servidores eram subalternos e não questionavam Paolicchi sobre o destino dos cheques. Se os desvios de fato ocorriam, eram feitos a partir do alto escalão, ou seja, a partir do secretário de Fazenda, afirma Moura. A função dos dois (Sossai e Rosimeire) era meramente burocrática, diz o advogado.
A assessoria do TC informou ontem que a presidência do tribunal respeita o direito do advogado e que o órgão vai responder o que for solicitado judicialmente. O pedido de interpelação pode não ser aceito pelo juiz do processo. Segundo a assessoria, se o TC tivesse o mesmo poder do Ministério Público de pedir a quebra de sigilo bancário dos dirigentes municipais os resultados das auditorias seriam diferentes.
A Folha tentou localizar o vereador João Jonh Alves Correa (PMDB), presidente da Câmara na ocasião dos desvios. O vereador não estava no gabinete e também não atendeu as ligações pelo celular.


