Até a próxima terça-feira o advogado Moisés Zanardi, de Maringá, pretende ingressar na Justiça com o pedido de revogação da prisão preventiva do ex-secretário de Fazenda, Luis Antônio Paolicchi. Acusado de desviar R$ 2,6 milhões da Prefeitura de Maringá, Paolicchi teve a prisão preventiva decretada na segunda-feira pelo juiz federal substituto Anderson Furlan Freire da Silva. Zanardi, um dos advogados de defesa do ex-secretário, diz que vai argumentar que o cliente é réu primário, tem bons antecedentes, possui bens de raízes em Maringá e endereço fixo.
‘‘Vou assumir o compromisso com o juiz que se a preventiva for revogada Paolicchi se apresenta na data marcada’’, diz o advogado. A Justiça Federal está citando o ex-secretário e os demais acusados para depor no próximo dia 30, em Maringá. Zanardi comenta ainda que entra com pedido até na terça-feira ‘‘para dar tempo do juiz analisar no prazo’’. Ele garante ainda que se Paolicchi prestar depoimento sem o risco de ser preso, assumiu o compromisso de conceder uma entrevista coletiva após falar com o juiz.
Caso a prisão não seja revogada, Zanardi afirma que não sabe qual será a decisão de Paolicchi. ‘‘Ele quer esclarecer tudo, mas para isso cobra a revogação da preventiva’’, explica. O advogado contou à Folha que Paolicchi está sempre em contato, mas não tem nem idéia de onde ele pode estar. ‘‘Não peço e nem quero saber. Se ele está no exterior não me disse nada’’, revelou à Folha. A Justiça Federal acusa Paolicchi de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, peculato e sonegação fiscal.
No Ministério Público – da esfera estadual – corre ainda outra ação civil contra Paolicchi e outros três acusados por improbidade administrativa. O funcionário dele e servidor público licenciado Waldemir Ronaldo Corrêa, o secretário da Fazenda afastado Jorge Aparecido Sossai e a servidora pública municipal Rosimeire Castelhano Barbosa. Os funcionários públicos, assim como Paolicchi (que era servidor de carreira da Prefeitura de Maringá) são acusados de improbidade administrativa. O MP pede que eles devolvam os R$ 2,6 milhões desviados dos cofres públicos. O ex-secretário é alvo ainda de investigação da CPI do Narcotráfico, suspeito de ligações com o crime organizado.
Os coordenadores do Movimento pela Ética na Política de Maringá, que já reúne cerca 30 entidades, também vão entrar no caso. Eles estão formando grupos para atuar no Caso Paolicchi e o desvio de dinheiro da prefeitura, nas acusações contra o deputado estadual Divanir Braz Palma (PST), acusado de irregularidades contra o Sistema Financeira da Habitação, e das ações políticas da venda do Banestado. ‘‘Queremos atuar de forma conjunta, mas dividimos os temas em grupos’’, explica o advogado Alberto Abrãao Vagner da Rocha, do Movimento Nacional dos Direitos Humanos.
De imediato, segundo ele, os grupos vão tomar pé da situação de cada caso. Principalmente em relação às ações que correm na Justiça local sobre o desvio de dinheiro da prefeitura. ‘‘Queremos em seguida convocar a comunidade para discutirmos uma forma de controle das contas públicas que seja mais transparente’’, diz Rocha. O movimento tem ainda os grupos de mobilização, formado por jovens de várias entidades, que se preciso vão para as ruas cobrar ou apoiar os resultados alcançados em cada caso.