O advogado Rodolfo Lincoln Hey ajuizou ontem na 11ª Vara Federal do Paraná pedido de prisão preventiva contra o deputado estadual eleito Tony Garcia (PPB). O advogado quer que o deputado seja responsabilizado por um calote avaliado em R$ 40 milhões deixado pelo Consórcio Nacional Garibaldi - Administradora de Consórcios S/C Ltda, antes de ser adquirir a imunidade parlamentar em 1º de fevereiro do ano que vem. O Consórcio Garibaldi sofreu a intervenção do Banco Central em 1994. Até hoje não houve indenização alguma. Lincoln Hey acusa Garcia de estar por trás do negócio que deu prejuízo para centenas de paranaenses.
O pedido de prisão preventiva foi protocolado junto à Secretaria da 11ª Vara e aguarda distribuição e julgamento. Lincoln Hey alega na petição que Tony Garcia exercia controle sobre a instituição financeira, razão pela qual deve ser processado por danos à Fazenda Nacional e ao sistema financeiro nacional. Tony Garcia ficou irritado com a tentativa de Lincoln Hey de ressuscitar o caso. ‘‘É a oitava vez que ele me processa. Já processou o René Dotti (penalista), o Lenz César (presidente do Tribunal de Justiça), o professor João Casillo (civilista). Ele não presta e só quer aparecer’’, declarou o deputado eleito.
O advogado de Garcia, João Casillo, enviou à Folha no início da noite um parecer do procurador da República, Nazareno Jorgealém Wolff. No seu despacho, o procurador alega que o advogado não trouxe ao processo ‘‘elementos novos que justifiquem o pleiteamento de prisão processual durante o recesso judiciário’’. Wolff sugere que a representação contra Tony Garcia seja remetida para a 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba que, em junho de 97, colheu o depoimento do empresário. E que seja apreciada somente depois de retomadas as atividades judiciárias, em fevereiro próximo.
Tony Garcia disse que já processou o advogado três vezes, por tentar denegrir sua imagem junto à opinião pública e que pretende mais uma vez acioná-lo na Justiça. ‘‘Não vou deixar isso por menos’’, reclamava. Segundo o deputado eleito pelo PPB, não existem provas de seu envolvimento no calote do Consórcio Garibaldi. Essa não é a primeira vez que Lincoln Hey entra em confusão. Meses atrás teve a sua carteira de advogado constestada junto à OAB. Hey foi demitido do escritório do penalista René Dotti por estar envolvido em irregulares. Nos meios jurídico e político, a credibilidade de Hey é tida como contestável. Assim como a total improcedência das acusações contra Tony Garcia no caso do Consórcio Garibaldi.(L.D)

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