Advogado promete dar endereço de Cacciola
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sábado, 12 de agosto de 2000
Agência Folha Do Rio 
O processo que apura a responsabilidade do banqueiro Salvatore Cacciola, dono do Marka, nos supostos crimes cometidos na venda de dólar do Banco Central à sua instituição, em janeiro do ano passado, poderá sofrer atrasos.
O advogado de Cacciola, José Carlos Fragoso, informará à Justiça, amanhã, o novo endereço do seu cliente no exterior. Fragoso, ainda sem a informação que lhe seria passada pela família, não descarta a hipótese de o banqueiro estar na Itália, já que também possui a cidadania italiana.
Enquanto Cacciola não for intimado a comparecer à audiência que ouvirá as testemunhas de defesa, marcada para o próximo dia 17, o processo não pode correr, explica o advogado. Seria ilegal.
O advogado não soube dizer se o banqueiro pretende se entregar. Essa é uma decisão íntima dele. Se estiver na Itália, o governo brasileiro terá que pedir sua extradição. Como a Itália não extradita seus nacionais, a alternativa seria reproduzir um processo criminal contra Cacciola lá, de acordo com o procurador Artur Gueiros.
Fragoso pretende provar que seu cliente não pode ser considerado um foragido da Justiça, porque se mudou do país num momento em que não havia ordem de prisão contra ele.
Cacciola ficou detido por 37 dias no Rio. Beneficiado por uma liminar concedida pelo então presidente interino do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Marco Aurélio, no dia 14 de julho, o banqueiro foi solto.
Quando o presidente do STF, Carlos Velloso, reassumiu o cargo cinco dias depois, restabeleceu a prisão preventiva. No dia 20 de julho, a Polícia Federal já não encontrou o banqueiro em seu endereço. A liminar que o soltou não estabeleceu restrições a viagens ao exterior.
Os bancos Marka e FonteCindam foram beneficiados em R$ 1,6 bilhão pelo Banco Central, em janeiro de 99, durante a desvalorização do real.


