Advogado promete apresentar Paolicchi
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sexta-feira, 01 de dezembro de 2000
Marcos Zanatta De Maringá 
O ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, acusado do desvio de R$ 3,1 milhões da prefeitura, apresenta-se à Justiça no máximo até o dia 21. A promessa foi feita ontem por um dos advogados dele, Wagner Brusculo Pacheco, de Umuarama. Pacheco promete a apresentação de Paolicchi entre dois e quatro dias após a conclusão da auditoria do Tribunal de Contas na prefeitura. Ontem o presidente do TC, Quiélse Crisóstomo, anunciou que a auditoria será encerrada no dia 15 e o resultado divulgado em seguida.
Revogada ou não a prisão preventiva, meu cliente vai se apresentar, garante Pacheco. O outro advogado de Paolicchi, Moisés Zanardi, prometeu, em pelo menos em três ocasiões, no mês passado, que seu cliente se apresentaria nos próximos dias, o que não ocorreu.
Pacheco adiantou ainda que os R$ 20 milhões de rombo identificados pelo TC, entre 94,95 e 96, não têm o envolvimento de Paolicchi. Por isso queremos aguardar o resultado da auditoria, diz. Ele diz que com todos as informações em mãos, vai preparar a defesa. Se o ex-secretário tivesse se apresentado para dar explicações sobre os R$ 3,1 milhões que é acusado até agora, perderia a chance de uma defesa global, na opinião do advogado. A defesa do período do Jairo (Jairo Gianoto, prefeito afastado), está pronta.
Pacheco revelou à Folha que um integrante da família de Paolicchi recebeu ameaça através de bilhete. Ouvi isso de terceiros, ainda não confirmei com ele mas acredito ser verdade diante das divulgações feitas pelo Ministério Público, afirmou. O advogado conta ainda que orientou Paolicchi a não se expor nem ficar muito tempo no mesmo local, diante da sequência dos fatos. Sei que a Polícia Federal está atrás dele, inclusive com agentes visitando locais onde Paolicchi frequentava, garante.
Anteontem Pacheco também esteve na Justiça Federal, em busca de cópia do processo para montar o pedido de habeas corpus. Ele ainda não tem prazo para protocolar o documento, mas espera ser atendido. Na opinião do advogado, Paolicchi deveria ser convocado antes do pedido de prisão. A cópia do processo servirá também para a montagem da defesa. Garanto que a evolução do patrimônio dele nós vamos justificar, afirmou Pacheco.
Ele revelou ainda que antes da ação por improbidade administrativa, proposta pelo Ministério Público no dia 4 de outubro passado, Paolicchi estava na Europa. Quando ficou sabendo do pedido de prisão, o ex-secretário teria entrado em contato com Pacheco, que aceitou a defesa. Paolicchi voltou ao Brasil no dia 29 de outubro, aproveitando a brecha da eleição do segundo turno, que limita a prisão a réu julgado ou em flagrante delito. O advogado voltou a afirmar que Paolicchi está na região, mas procura não ficar sempre no mesmo local.
O promotor José Aparecido da Cruz, da Promotoria Especial de Defesa do Patrimônio Público em Maringá, disse ontem que o MP divulgou apenas o nome dos acusados. Além de Paolicchi, respondem a ação civil pública por improbidade administrativa e ação criminal por sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e peculato os servidores Jorge Aparecido Sossai, Rosimeire Castelhano Barbosa e Waldemir Ronaldo Corrêa.
O prefeito afastado Jairo Gianoto (sem partido), foi incluído na ação civil depois que o MP descobriu R$ 549 mil desviados da prefeitura em sua conta. Jairo foi denunciado também criminalmente ao TJ, e junto com Paolicchi está com todos os bens indisponibilizados. Hoje termina o prazo para Gianoto apresentar a defesa à Comissão Processante formada na Câmara para analisar as denúncias e propor sua cassação.


