Curitiba - O advogado Roberto Bertholdo, preso no último dia 4, foi ouvido esta semana pelo juiz substituto da 2 Vara Criminal Federal, Gueverson Rogério Farias. Bertholdo foi preso acusado de ter grampeado o telefone do juiz federal Sérgio Moro responsável por investigações referentes a lavagem de dinheiro no Brasil. Ele também foi denunciado pelo Ministério Público (MP) federal pelas práticas de tráfico de influência (compra de decisões judiciais) e lavagem de dinheiro (ter utilizado contas de laranja para legalizar recursos recebidos indevidamente).
Em depoimento, Bertholdo negou as acusações contra ele. Disse que nunca encomendou grampo telefônico e acusou o deputado federal José Janene (PP) e o doleiro Alberto Youssef pela contratação de Sérgio Rodrigues (acusado de ter instalado as escutas telefônicas clandestinas). O advogado, que já foi conselheiro da Itaipu Binacional e chegou a defender Janene e José Borba (PMDB) em alguns processos, negou também a prática de tráfico de influência para a compra de decisões judiciais. O MP federal acusa o advogado de ter tentado comprar uma decisão favorável no processo do Consórcio Nacional Garibaldi (que envolveria Antonio Garcia, conhecido como Tony Garcia).
No depoimento, segundo informou a assessoria de imprensa da Justiça Federal, Bertholdo diz que as acusações são infudadas e argumenta que recebeu R$ 600 mil, mas que o dinheiro era de um suposto caixa 2 da campanha de Tony ao Senado. O advogado reclamou que está sendo vítima de tentativa de extorsão por parte de outros advogados co-réus na ação e por testemunhas do processo.
Na análise divulgada pela assessoria de imprensa, o depoimento de Bertholdo deixa explícitas algumas manobras para desqualificar os crimes de que é acusado. Ao apontar um deputado como autor do grampo no telefone do juiz federal, o crime sai da primeira instância e passa a ser de competência do Supremo Tribunal Federal, por conta do foro privilegiado dos parlamentares. Sobre o caixa 2, crime passaria para a esfera do Tribunal Eleitoral. As penas para caixa 2 em eleições são brandas.
O advogado criminalista Antonio Augusto Figueiredo Basto negou que o grampo telefônico tenha sido produzido por Janene ou Youssef. Ele lembrou que Youssef estava preso na época e era réu colaborador da Justiça. Portanto, não teria motivos para grampear um juiz federal criminal. Figueiredo Basto lembrou que a prova de que o grampo foi encomendado por Bertholdo está nos autos através de uma gravação produzida no escritório dele e que mostra o pagamento que o advogado fazia pelo grampo ao acusado de ter grampeado as ligações de Moro, Sérgio Rodrigues.
Em depoimento na segunda-feira, Rodrigues negou que conhecia Youssef e Janene. E confirmou que todos os pagamentos e a entrega das conversas telefônicas eram feitos diretamente no escritório de Bertholdo. ''Ele (Bertholdo) quer desviar o foco das investigações para se livrar das acusações'', disse Basto.

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