Advogado pedirá habeas corpus para irmão de Íris
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domingo, 07 de março de 1999
Gerson Camarotti Agência Estado 
O advogado Ney Moura Teles vai entrar nessa semana com um pedido de habeas-corpus para evitar que o ex-senador e médico Otoniel Machado (PMDB-GO) cumpra o mandado de prisão no quartel da Academia de Polícia Militar, em Goiânia (GO). Para Teles, a prisão do político foi ilegal, até porque ele nunca havia sido intimado pela Polícia Federal para dar esclarecimentos sobre as denúncias de que está sendo acusado. Foi uma prisão ilegal e desnecessária, até porque ele tem endereço conhecido, argumentou o advogado.
Irmão do ex-ministro e senador Íris Resende (PMDB-GO), Otoniel Machado teve a prisão preventiva decretada na noite de sexta-feira pela Justiça Federal depois de ter sido comprovada a existência de indícios da sua participação no desvio de mais de R$ 6 milhões do cofre estadual, às vésperas do segundo turno das eleições estaduais no ano passado. O escândalo ficou conhecido em Goiás como o caso Caixego, já que o dinheiro retirado seria utilizado para o pagamento de ex-funcionários da extinta Caixa Econômica de Goiás.
Segundo o advogado, houve um exagero da Justiça Federal ao decretar a prisão preventiva de Otoniel Machado. No inquérito da Polícia Federal sequer constava o nome do meu cliente, observa Teles. Anteontem, Otoniel foi transferido para a UTI do Instituto de Neurologia de Goiânia. Ele está internado desde sexta-feira, depois de ter passado mal ao receber a notícia de sua prisão. Fontes da PF desconfiam que a transferência de Otoniel para UTI é uma estratégia para conseguir tempo e evitar o constrangimento da sua prisão.
Ontem, o juiz federal Alderico dos Santos Machado pediu a transferência de Otoniel para Hospital de Urgência de Goiânia, principal emergência pública da cidade, mas o oficial de Justiça que foi ao Instituto para cumprir a determinação não teve sucesso. O oficial constatou que não havia nenhum medicamento na planilha de Otoniel, o que reforçou a suspeita da PF. Até o início da noite de sábado, o juiz tentava formalizar a transferência.
O boletim médico divulgado pela direção do Instituto informou que Otoniel foi acometido por uma crise de hipertensão, decorrente de estresse. Sua pressão chegou a 24/13, enquanto o normal é de 12/8. Ele está sob rigorosa observação médica e sem previsão de alta. A responsabilidade pela vida de Otoniel é do Estado, ameaçou o advogado Teles.
O senador Íris Resende está evitando falar sobre o assunto. Durante o final de semana, uma romaria de políticos do PMDB de Goiás passou pelo apartamento do ex-ministro da Justiça e ex-governador para prestar solidariedade. Otoniel, que além de suplente foi coordenador da campanha de Íris, é acusado pelo Ministério Público de ter administrado o dinheiro desviado do cofre estadual para a campanha de Íris. Além dele, foi preso em janeiro o ex-liquidante da Caixego e ex-diretor do Banco do Estado de Goiás, Edivaldo Andrade.


