O advogado da empresa Freezagro, João Henrique Cruciol, de Londrina, protocolou denúncia no Banco Central (BC), em Curitiba, pedindo a invetervenção do BC no Banestado e sua liquidação. Cruciol alega que a direção do Banestado adulterou balanço para evitar sua liquidação, falseou dados contábeis e enganou o governo federal ao reivindicar verba pública para sua recuperação. A denúncia foi feita anteontem ao delegado regional do BC, Alceu César de Almeida Neto. Cópias da denúncia devem ser encaminhadas a várias autoridades, entre elas o presidente Fernando Henrique e o governador Jaime Lerner.
O advogado alega que seu cliente, Sidney Wanderley Franchello, da Freezagro, obteve prejuízo, abalo creditício e danos morais, o que ele classificou de ‘‘terrorismo bancário institucionalizado’’, que teria causado a desestrutração da empresa, em Cambé (13 km a oeste de Londrina). Cruciol afirma que os gestores do banco ‘‘pleiteiam a falência da empresa, buscando judicialmente a decretação de sua quebra’’.
‘‘Enquanto deveriam estar empenhados no rigoroso cumprimento das metas que lhe foram impostas pelo Banco Central no processo de privatização, minimizando gastos e recuperando créditos como forma de sanear a instituição, os gestores e dirigentes se dão o direito de burlar metas para satisfazer seus interesses’’, acusou.
A Freezagro, que trabalhava com alimentos supercongelados, não está operando. Até o ano passado, o Fórum de Cambé tinha recebido 13 pedidos de falência contra a empresa, acusada na Justiça de ter obtido empréstimos irregulares no Banestado. O advogado de Franchello contesta a dívida de R$ 12 milhões da empresa junto ao Banco, apresentada em abril de 97 pelo presidente do Banestado, Manoel Campinha Garcia Cid, em entrevista à Folha. Cruciol pretende reivindicar indenização por danos morais a seu cliente. A presidência do Banestado não quis comentar as denúncias. (P.Z)

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