O advogado de defesa do ex-vereador Orlando Bonilha, Ronaldo Neves, solicitou ao Ministério Público a extinção da pena de reclusão do ex-parlamentar, condenado a 11 anos e dez meses de reclusão em cinco processos em que foi condenado. Ele é considerado foragido desde que o TJ (Tribunal de Justiça) do Paraná determinou sua prisão em regime semiaberto, mas não foi encontrado em vários endereços para notificação, nem se apresentou para começar a cumprir a pena.

O advogado de defesa, Ronaldo Neves, afirma que a extinção da penas seria o cumprimento de um acordo firmado com o MP após a cassação do mandato do ex-vereador, em 2008 - à época, o vereador disse que não era "a única batata podre" da CML (Câmara Municipal de Londrina), para indicar a participação de outros parlamentares. Bonilha apresentou-se aos promotores e delatou a participação de vários vereadores e empresários envolvidos em mudanças de zoneamento e de doações de áreas por meio de projetos de lei, encomendados mediante pagamento de propina.

Neves diz que o acordo fechado foi "uma ação pioneira do Paraná", já que a previsão legal de colaboração premiada só foi sancionada em 2013. Mesmo assim, ficou combinado entre Bonilha e MP que ele responderia pelos processos, mas não cumpriria pena se fosse condenado. "Essa é a regra da delação, conforme vem ocorrendo na Lava Jato: conta o que tem de contar e vai para casa, ou presta serviços comunitários, ou usa tornozeleira eletrônica, mas não fica no regime fechado", comparou o advogado.

Neves reuniu-se com promotores de Londrina nesta segunda-feira (7) para pedir o cumprimento do acordo feito há mais de dez anos. Ele aguarda a elaboração do pedido, que vai precisar, depois, ser apreciado pela Justiça do Paraná para ser validado. O promotor Renato de Lima Castro confirmou o encontro e o acordo feito durante a delação. "Ele [Bonilha] formulou a pretensão do não cumprimento da pena e vamos fazer uma avaliação sobre isso, porque, de fato, ele contribuiu com parte da investigação", disse o promotor.

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