Advogado nega pressão do MP
O advogado Delivar Tadeu de Matos, que presta assistência jurídica a Vânia Maria Jolo, gerente administrativo-financeiro do grupo Tâmara-Principal, de Maringá, afirmou ontem que sua cliente não foi pressionada a prestar depoimento aos promotores que investigam o escândalo de corrupção na Prefeitura de Londrina. Evidentemente não houve nenhum tipo de pressão, afirmou. Na última quinta-feira, o deputado federal José Janene (PPB) declarou, em entrevista coletiva, que os promotores coagiram, sem exceção, todas as pessoas que prestaram depoimentos contra ele.
Janene é acusado de receber durante dois anos uma caixinha de R$ 21 mil mensais do grupo maringaense, que participou de licitações na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e na extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, hoje CMTU). O deputado teria ajudado a intermediar a cessão de serviços de segurança bancária para a Principal. Três meses depois, de acordo com depoimento prestado ao Ministério Público (MP) por José Luiz Sander, sócio-proprietário do grupo, Janene teria começado a fazer pressão para receber uma mensalidade pelo mérito da cessão do serviço.
O depoimento de Sander é uma das peças que compõem a medida cautelar proposta pelo MP contra o deputado no último dia 17, propondo quebra de sigilo bancário de Janene, de sua família, além de empresas. Sander declarou aos promotores que a responsável pelo pagamento era Vânia Jolo, que já havia revelado o acordo ao MP no dia 26 de julho.
A Tâmara-Principal foi a primeira empresa a ser investigada pelo MP após denúncia de superfaturamento em serviços de capina e roçagem contratados pela AMA, a pedido da vereadora Elza Correia (PMDB). As investigações levaram à descoberta de inúmeras fraudes em contratos realizados pela prefeitura, que resultaram na cassação do prefeito Antonio Belinat (sem partido).
Em rápida conversa pelo celular ontem de manhã, Delivar Matos disse que não pode se pronunciar sobre as declarações de Vânia Jolo. Ele acredita que será ordenado segredo de justiça para o caso. É lamentável que tudo isso já esteja sendo divulgado pela imprensa, disse. Mas reafirmou que não houve pressão por parte do MP. (S.L.)





