Curitiba – O advogado Marcelo Leonardo, que representa o vice-presidente executivo da Mendes Jr, Sérgio Cunha Mendes, refutou que a empreiteira fizesse parte de um cartel de empresas para conseguir contratos de obras da Petrobras, como apontam as acusações feitas pela força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF). "Na área da Mendes Jr ela nunca participou de nenhum clube e não conseguiu nenhuma licitação por este caminho", ressaltou o defensor ao sair da audiência de ontem à tarde na Justiça Federal do Paraná, em Curitiba
Leonardo também afirmou que os executivos da Toyo Setal, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Julio Camargo Gerin de Almeida, que firmaram colaboração premiada e foram ouvidos como testemunhas de acusação, reforçaram que os pagamentos de propina por parte das empreiteiras só ocorria porque os executivos eram vítimas de extorsão.
Ele ainda ressaltou que apenas o contrato referente a pagamento de propina envolvendo obras da Refinaria de Paulínia (SP) foi citado na audiência de ontem. Segundo Leonardo, a Mendes Jr. teria pago propina a empresa GFD Investimentos, de propriedade de Alberto Youssef, por "serviços de consultoria em gestão empresarial". Segundo o MPF, este seria apenas um contrato de fachada assinado para dar aparência legítima ao pagamento de propina.
"Hoje ficou mais uma vez comprovado que a Diretoria de Abastecimento, por meio de Paulo Roberto Costa fazia efetivamente extorsão em relação às empresas e não há uma empresa que não relate isso. Os próprios réus colaboradores confirmaram que se não tivesse pagamento havia problemas e embaraços. Um deles inclusive relatou um episódio num contrato na Refinaria Duque de Caxias (RJ), em que o diretor vetou o pagamento de algo que era legítimo para uma determinada empresa, para demonstrar que tinha poder", disse o advogado.
O discurso sobre a prática de extorsão foi reforçado pelo advogado de Ricardo Ribeiro Pessoa, presidente da UTC Engenharia, Alberto Torón. "Mais uma vez ficou muito claro que não se conseguia trabalhar se não se atendesse as exigências de funcionários da Petrobras", afirmou.
Na audiência de ontem, a mais longa desde o início das oitivas na Justiça Federal do Paraná, também ocorreram as oitivas da ex-contadora de Alberto Youssef Meire Bonfin da Silva Poza e Leonardo Meirelles, dono do laboratório Labogen, apontado como laranja do doleiro.(R.C.J.)

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