Curitiba - O advogado Roberto Bertholdo, preso acusado de grampear o telefone do juiz federal de Curitiba Sérgio Moro, de lavagem de dinheiro e de tráfico de influência (tentativa de compra de sentenças judiciais), não teria dito em seu depoimento à Justiça Federal que o ex-deputado federal José Janene (PP) é o mentor dos grampos, como divulgou a assessoria de imprensa da Justiça. A afirmação é do advogado Cláudio Dalledone Júnior, que defende Bertholdo. Segundo Dalledone, o advogado é vítima de estelionato e que não vai ajudar a Justiça em troca de benefícios (delação premiada). Dalledone rebateu informações divulgadas pela Justiça Federal sobre o depoimento prestado pelo advogado preso.
''Em nenhum momento Bertholdo afirmou que o Janene foi o autor ou mentor dos grampos. Isto é uma distorção. Quando indagado, disse que recebeu a notícia (de que Tony Garcia seria preso) do Janene, que por sua vez recebeu a informação do delator premiado Alberto Youssef. E ele fez as vezes de advogado e informou seu cliente (sobre a prisão)'', argumentou Dalledone. Segundo a Justiça Federal, em depoimento Bertholdo disse que nunca encomendou grampo telefônico e acusou Janene e o doleiro Youssef pela contratação de Sérgio Rodrigues (acusado de ter instalado as escutas telefônicas clandestinas). Porém, em depoimento Rodrigues afirmou que levava às gravações ao escritório de Bertholdo. ''Mas as gravações nunca foram econtradas. Não existe prova material'', rebateu Dalledone.
A Justiça Federal informou também que os R$ 600 mil que Bertholdo é acusado de lavar seriam fruto de um caixa 2 na campanha para o Senado de Tony Garcia. Dalledone alegou que o dinheiro era para pagar, legalmente, despesas de campanha. Dalledone afirmou que Bertholdo nunca disse em seu depoimento que é amigo íntimo do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, como havia informado a Justiça Federal. Segundo Dalledone, Bertholdo está sendo vítima de extorsão e deixou isso claro em seu depoimento, inclusive citando nomes. Porém, preferiu não divulgar à imprensa os acusados de extorsão.
O defensor de Bertholdo afirmou que o Ministério Público (MP) federal, que denunciou o advogado, está pressionando para que ele denuncie ministros e desembargadores corruptos. ''Os procuradores da República insistiram com meu cliente para que falasse de desembargadores e ministros. Ele não vai falar. E o meu cliente não aceita nenhum tipo de delação premiada e ele não tem o que dizer deles'', afirmou. Dalledone questionou ainda a imparcialidade do juiz federal substituto da 2º Vara Criminal de Curitiba, Gueverson Farias, que ouviu o depoimento. Gueverson é substituto de Moro.
A Justiça Federal rebateu as alegações de Dalledone por meio de nota. ''No depoimento prestado por Roberto Bertholdo, o deputado federal José Janene foi apontado como a pessoa que teria lhe repassado informações relativas a interceptações telefônicas obtidas de forma clandestina do juiz federal Sérgio Moro. Bertholdo afirmou ainda que perguntou a Janene a forma como teria obtido essa informação, tendo ele dito que teria ouvido as fitas com a gravação clandestina. Bertholdo indicou ainda que Janene receberia essas informações de Alberto Youssef, que segundo Bertholdo seria muito ligado ao deputado. Quanto ao Ministro da Justiça, o preso o indicou como seu conhecido'', diz a nota.

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