Advogado foi condenado por tráfico
Josoé de CarvalhoQuintiliano: ‘‘As pessoas me conhecem. Nunca fiz tráfico’’O procurador jurídico da Câmara de Vereadores de Telêmaco Borba e presidente do diretório municipal do PFL, Ruy Luiz Quintiliano, foi condenado a quatro anos de prisão por tráfico de drogas em 1995, mas nunca cumpriu pena. Ele recorreu da sentença e o processo foi anulado pelo Tribunal de Alçada, em Curitiba, e, mais recentemente, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). No STJ ele conseguiu um habeas-corpus, graças ao advogado Luiz Renato Cardoso Crovador, assassinado em Curitiba. Quintiliano nega qualquer relação com o tráfico de cocaína. ‘‘Provei que não estava na cidade naquele dia’’, afirmou à Folha.
O co-réu, Luiz Alexandre Rosa, cumpriu pena de quatro anos de prisão e voltou para a cadeia recentemente. ‘‘Ele (Rosa) foi pressionado para me acusar. Mas as pessoas que me conhecem. Moro há 35 anos na cidade, sou o decano dos advogados daqui, com 26 anos de serviços prestados’’.
O advogado, que faz a defesa de pelo menos três acusados de tráfico, alegou que pega ‘‘um caso ou outro’’, principalmente porque é nomeado pela Justiça. ‘‘Como acabou o convênio do governo do Estado com a OAB, o Judiciário vai fazendo algumas nomeações’’, justificou.
Ele não acredita que a cidade seja um centro de tráfico, mas admite que existem muitos usuários. ‘‘Apesar de que vem muita gente de fora’’. O advogado disse que o ‘‘pouco que entra’’ no município serve para a manutenção dos dependentes. Ele acredita que as drogas vêm de Curitiba e Ponta Grossa. ‘‘Mas não tem grande tráfico porque não tem mercado. Um ou outro denunciado adquire pouca quantidade; 50 gramas de maconha, por exemplo e crack. Cocaína é caro’’.
Quintiliano também não crê na possibilidade de o município ser um centro de desmanche de veículos. ‘‘Não tem motivos’’, argumentou. Ele é um dos advogados do juiz aposentado Manoel Teolindo Amaral Costa, que está sendo processado por receptação de carros roubados (leia acima), mas disse que isso não é motivo suficiente para se estabelecer uma relação com um possível centro de desmanche. ‘‘Depois de aposentado e estabelecido em Telêmaco para advogar, ele (Manoel) alugou uma oficina para reformar veículos. Nunca fez desmanche. Foi uma armação’’.
Quintiliano disse que sua condenação por tráfico, há quatro anos, não atrapalhou suas atividades como liderança. Ele já começa a fazer contatos com vários partidos para as eleições do próximo ano e disse ter um bom relacionamento com representantes do governo do Estado e do PFL estadual. (P.Z.)

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