O advogado do HSBC, Júlio Broto, entregou ontem à CPI da Telefonia documentos alegando que as ligações da instituição com as polícias do Paraná vêm desde 1994, período anterior à compra do Bamerindus pelo banco inglês. O advogado não quis adiantar o teor dos documentos.
A papelada está em poder de Tony Garcia que ficou de ler os documentos e emitir parecer nos próximos dias. Broto sugeriu, ao encaminhar os documentos à CPI, que o HSBC herdou um esquema já montado no banco, quando o mesmo ainda era de propriedade do ex-ministro e ex-senador José Eduardo de Andrade Vieira.
O ex-ministro refutou as acusações. Disse que ao contrário do que afirmou o advogado, em 1994, não estava no controle do Bamerindus. José Eduardo se afastou do comando do banco em 1990, quando foi eleito senador. Até 1997, quando o banco foi liquidado pelo Banco Central, o então senador ocupou cargos políticos. Foi ministro de Itamar Franco e de Fernando Henrique Cardoso. ''Ao me acusar, o HSBC está tentando fugir das denúncias de escuta telefônica e quebra de sigilo de seus clientes. Estão querendo desviar o foco das atenções'', declarou.
José Eduardo viu ainda motivação política no comportamento do advogado do HSBC. ''Já estão com medo que eu saia candidato. Estão fazendo isso porque eu me filiei num partido político'', disse. O ex-ministro, que atualmente se dedica à iniciativa privada (é diretor superintendente da Folha de Londrina/Folha do Paraná), assinou ficha no PPB, na semana passada e é apontado pelo comando estadual do partido como candidato em potencial ao governo do Estado nas eleições de 2002.

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