Advogado é preso por grampo contra juiz
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sexta-feira, 04 de novembro de 2005
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O advogado Roberto Bertholdo foi preso ontem em Curitiba acusado de grampear clandestinamente os telefones do juiz federal da 2 Vara Criminal de Curitiba, Sérgio Fernando Moro. Com as escutas telefônicas, Bertholdo teria obtido informações privilegiadas sobre processos de clientes seus. O Ministério Público (MP) federal também denunciou o advogado por tráfico de influência e lavagem de dinheiro e investiga sua participação em desvio de dinheiro público e fraudes em licitações. Bertholdo já defendeu diversas personalidades políticas como o ex-deputado federal José Borba (PMDB-PR) e o deputado federal José Janene (PP-PR), acusados de receber dinheiro do mensalão.
A Polícia Federal (PF) cumpriu nove mandados de busca e apreensão na casa do advogado e em seus escritórios em Curitiba, São Paulo e Brasília. Segundo a PF, foram apreendidos materiais de espionagem como equipamentos de escuta telefônica, câmeras e micro-câmeras, celulares, R$ 191 mil, um Jaguar e fitas com conversas gravadas e filmagens. As investigações sobre Bertholdo começaram após a descoberta do monitoramento do telefone de Moro, que aconteceu entre dezembro de 2003 e maio de 2004. Entre os processos que estão sob responsabilidade do juiz federal está o caso em que o ex-deputado federal Tony Garcia é acusado de gestão fraudulenta no Consório Garibaldi. Bertholdo advoga para Garcia e também foi seu suplente quando Garcia se candidatou ao Senado.
O procurador do MP federal em Curitiba, responsável pela denúncia contra Bertholdo, Carlos Fernando dos Santos Lima, afirmou que o advogado é acusado também de cobrar R$ 600 mil de um de seus clientes (cujo nome não foi divulgado) alegando que o dinheiro seria para ''comprar'' um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Entretanto, Lima ressaltou que não há nenhuma comprovação que de fato Bertholdo tenha subornado algum magistrado ou servidor público do Tribunal. Este é o motivo da acusação de tráfico de influência. Já a acusação de lavagem de dinheiro surgiu porque o advogado teria ''pulverizado'' os R$ 600 mil em empresas de fachada e entre laranjas.
O procurador informou que há indícios de que Bertholdo teria participado de atividades ilícitas envolvendo os governos estadual e federal. ''Estamos investigando indícios de que ele teria participado de fraudes em licitações e desvio de dinheiro público defendendo interesses de grupos políticos e também particulares'', afirmou Lima. O procurador preferiu não dar mais informações sobre este ponto da investigação, que ainda está no início.
Esta não é a primeira vez que Bertholdo tem sua prisão preventiva decretada. No início do ano ele foi acusado pelo seu ex-sócio, Sérgio Costa, de tortura e agressão e por isso teve sua prisão decretada a pedido do MP estadual. Na época, Bertholdo ficou foragido até conseguir um habeas corpus. ''Pedimos a prisão justamente porque ele já demonstrou que tem interesse em se furtar'', explicou Lima. Bertholdo teve sua prisão decretada pelo juiz federal substituto da 2 Vara Criminal de Curitiba, Gueverson Rogério Farias e está preso no Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). O advogado de Bertholdo, Ivan Xavier Vianna Filho, informou que vai analisar o processo durante o final de semana para ver se cabe um pedido de habeas corpus.
O superintendete da PF do Paraná, Jaber Saadi, explicou que as investigações se referem apenas a Bertholdo e a nenhum de seus clientes. A PF e o MP federal vão periciar o material apreendido. A PF não sabe ainda quanto tempo de conversa extamente foi gravada nos telefones do gabinete do juiz federal.


