Advogado é acusado por suborno
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2002
Vânia Moreira<br>Equipe da Folha 
Umuarama - O ex-secretário de Ação Social da Prefeitura de Mariluz Élcio Farias revelou durante seu julgamento, ontem em Cruzeiro do Oeste, que recebeu propostas do advogado Cláudio Dalledone Júnior para assumir a autoria do assassinato do vice-prefeito, Aires Domingues, e do presidente local do PPS, Carlos Alberto de Carvalho, o Carlinhos Gordo, que teriam sido encomendadas pelo padre e então prefeito Adelino Gonçalves (PMDB). Farias fez a denúncia quando estava sendo interrogado pelo juiz Siladelfo Rodrigues da Silva. Dalledone Júnior defende o padre Adelino.
Segundo Farias, Dalledone Júnior o procurou na cadeia de Cruzeiro do Oeste e ofereceu dinheiro para ele assumir o crime. A primeira proposta teria sido de R$ 10 mil. Depois o advogado teria oferecido R$ 30 mil e chegou a triplicar a oferta diante da recusa de Farias. Dalledone Júnior contestou a acusação e disse que vai processar Farias por danos morais. O ex-prefeito de Mariluz nega qualquer envolvimento no duplo homicídio.
O réu também reafirmou que foi procurado no ano passado pelo padre Adelino em Rondônia, onde se refugiou depois do crime, para que assumisse a culpa.
Élcio Farias admitiu ter ido em Maringá com padre Adelino e o chefe da divisão de compras da prefeitura, Alexsandro do Nascimento, comprar o Monza utilizado no crime. Ele disse que levou o carro a Corumbataí do Sul para o ex-policial militar José Lucas Gomes, autor confesso dos tiros que mataram Aires Domingues e Carlinhos Gordo. Farias alega, no entanto, que não sabia do que se tratava. A defesa sustentou que Farias é inocente porque não sabia que estava ajudando a cometer um crime. O julgamento deveria terminar por volta das três horas da madrugada.


