Advogado é acusado de golpe de R$ 1 milhão
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segunda-feira, 22 de março de 2004
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), órgão vinculado à Polícia Civil do Paraná, obteve na Justiça a prisão preventiva de um acusado de pertencer à quadrilha do ex-cartorário Everaldo Josauro Prestes Cordeiro. O advogado Arno Ferreira Mueller foi preso em flagrante por fraude processual, uso de documento falso, falsificação de documento público, comunicação falsa de crime e falsidade ideológica.
No início de março, a polícia ligou Cordeiro a diversos crimes, inclusive cerca de 65 transações imobiliárias com empresas das Ilhas Virgens Britânicas e Caymann, conhecidas como paraísos fiscais, no valor de US$ 10 milhões. Para isso, ele aproveitava-se da concessão de um cartório no Distrito de Calógeras, município de Arapoti (149 quilômetros ao sul de Jacarezinho) e outros estabelecimentos comerciais que mantinha para fazer lavagem de dinheiro e outras operações ilegais.
Durante a investigação, os oficiais chegaram, através de denúncias de vítimas, ao advogado Arno Ferreira Mueller. Ele vinha, com a ajuda de Cordeiro, falsificando escrituras para tomar posse de terrenos com documentação irregular e foi preso há oito dias. A prisão só foi divulgada ontem.
Em 1996, Mueller trocou um carro roubado e um cheque frio por um terreno de 200 metros no bairro Cabral, em Curitiba. Após a transação, o advogado percebeu que outros seis terrenos vizinhos estavam em situação irregular foram adquiridos por uso capião e falsificou as escrituras dos mesmos em nomes de terceiros, que atuaram como ''laranjas''. A partir daí, Mueller conseguia na Justiça uma liminar para impedir possíveis invasões com multas que poderiam chegar a R$ 30 mil por dia. Até então, a polícia acredita que o advogado tenha causado prejuízo em torno de R$ 1 milhão na Capital.
''Esse é um novo tipo de modalidade de crime, uma sofisticação na grilagem de terras'', afirmou ontem o delegado do Nurce, Sérgio Sirino. De acordo com Sirino, Mueller pode pegar de oito a dez anos de detenção e as investigações continuam, já que outras pessoas teriam ligações com o caso. ''Pelo menos três cartórios e diversos funcionários públicos de cartórios e do Fórum podem estar envolvidos. Não tem como prever o número de crimes mas estima-se que a quadrilha atuou em pelo menos 180 terrenos em Curitiba e outros da Região Metropolitana e também do Litoral'', disse Sirino.


