O advogado do Partido dos Trabalhadores (PT), o criminalista João dos Santos Gomes Filho, protocolou um pedido de providências na 42 Zona Eleitoral na sexta-feira à tarde para se investigar supostas irregularidades na prestação de contas do PSDB e PV referentes à elaboração de programas de rádio e televisão na época da campanha eleitoral, no ano passado. No mesmo pedido, o advogado propõe que sejam investigadas possíveis irregularidades nos gastos com combustíveis pelo PRTB.
''Através desse pedido de providências quero que seja aberto inquérito para se investigar isso'', afirma Gomes Filho. Na época da campanha eleitoral, o PT já havia feito pedido semelhante, mas a Justiça entendeu pelo arquivamento por falta de provas. ''Até concordo com a decisão na época, mas passada a eleição, as denúncias se materializaram. Esse gasto com programas de televisão e rádio deveriam estar em algum lugar, já que na época da campanha, os próprios representantes do PV disseram que os gastos com estúdio foram uma 'cessão generosa' do PSDB''.
Fundamentado no artigo 356 do Código Eleitoral, que diz que todo cidadão que tenha conhecimento de infração penal deverá denunciá-lo, Gomes Filho enfatizou que não é preciso criar factóide para fazer uma denúncia - numa referência a ex-assessora do PT Soraya Garcia, que denunciou suposto esquema de caixa 2 na campanha petista. ''Com essa denúncia, eu quero dizer que qualquer cidadão de bem, quando conhece alguma irregularidade deve denunciar. Nós não precisamos criar factóides, não precisamos criar uma mentira de um número expressivo. É só colocar no papel e pedir providência à Justiça'', argumenta.
O importante, segundo o advogado, é investigar nesse momento de onde saiu o recurso para os programas do PV e quem declarou se nenhuma base de prestação de contas - seja do PSDB, PV e PRTB - assume o gasto de campanhas em rádio, televisão e estudios. ''Na época em que o PT pediu essas providências, houve o arquivamento, mas agora existe um pós fato. Com o fim das eleições e feita a prestação de contas, esse fato se torna absolutamento novo no processo, reeabre a veia investigativa''.
O promotor Miguel Sogaiar, que será substituído a partir de segunda-feira nas investigações do Caixa 2, disse que na época o pedido do PT foi julgado improcedente e transitou em julgado porque o PT não recorreu. ''Na primeira audiência a Coligação Bem Londrina tentou desistir, mas nós continuamos a investigar. Como não se provou as denúncias, o procedimento foi arquivado'', explicou Sogaiar. Segundo ele, o PT pode reabrir o caso agora se trouxer um fato novo. ''Acho razóavel investigar se for algo novo. O promotor que receberá o pedido deverá analisá-lo'', afirmou Sogaiar.
O candidado derrotado a prefeito pelo PV, na época, Naudemar Nascimento, informou que ''não houve gastos porque o estúdio foi fornecido de graça''. ''Na época tínhamos dificuldade de produzir o programa de televisão e isso atrapalhava os programas de outros candidados. Como nosso horário ficava vago muita gente acabava desligando a TV antes de toda propaganda eleitoral terminar. Por isso, os outros candidados pediram aos estúdios para que fizessem nossos programas'', argumentou Nascimento.
Para o presidente do Diretório Municipal do PSDB, Claudemir Molina, o partido não financiou nenhum programa de televisão para outro candidado. ''Querem desviar o foco das investigações. Eles estão usando a tática do gambá (plagiando José Genuíno), espalhando o fedor para todos os lados para dizer que todos estão fedendo''. O deputado federal Luiz Carlos Hauly, também derrotado nas últimas eleições municipais pelo PSDB, acha que o pedido de providência é uma denúncia absurda e inverossímel. ''A campanha do PV foi tão fraca, que parece que eles usaram máquina de fundo de quintal'', ironizou.
A reportagem não conseguiu falar com o representante do PRTB em Londrina para ouvir sua versão sobre possíveis irregularidades na prestação de contas com combustíveis.

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