Cerca de dez depoimentos agendados para ontem e hoje pelo delegado da Polícia Federal (PF), Kandy Takahashi no inquérito que apura denúncias de irregularidades na prestação de contas da campanha de reeleição de Nedson Micheleti (PT) foram adiados a pedido do advogado do PT, João dos Santos Gomes Filho.
Por volta das 9h30, um representante de Gomes Filho entregou ao delegado o pedido de adiamento dos 15 depoimentos marcados para os dias 17, 18 e 19, alegando não ter tido acesso às 1,6 mil páginas do inquérito. No ofício, o advogado ainda solicitava a retirada dos documentos por quatro horas para que fossem copiados. ''Eu pedi para que se adiasse os depoimentos primeiro porque não conheço o inquérito, apesar de estar procurando por ele desde a semana passada. Gomes Filho protocolou o pedido em nome do PT. Funcionários do escritório de Gomes Filho retiraram ontem o inquérito para fazer a cópia.
Gomes Filho ainda argumentou que não poderia acompanhar os depoimentos de hoje. ''Tenho uma sustentação de um habeas corpus em Brasília. Sexta-feira à tarde estamos à disposição para as inquisições. Não quero atrasar, não quero atrapalhar, não quero fazer nada. Quero buscar a verdade.'' Conforme o delegado, os depoimentos devem ser retomados na sexta-feira. As pessoas 17 que teriam trabalhado na comunicação da campanha foram convocadas informalmente por telefone. ''Quem não vier, será intimado formalmente'', disse Takahashi.
O proprietário do Estúdio S, Ailton Soares, conhecido como Cobrinha, seria uma das pessoas que seriam ouvidas ontem. Segundo Gomes Filho que conversou com a testemunha ele seria o responsável pela contratação de profissionais de comunicação. ''(Contratados) pelo Cobrinha, sem dúvida. Em determinado momento a campanha precisou ser reforçada e ele saiu em busca do que há de melhor no mercado. Os profissionais que aderiram à campanha foram da maior qualidade'', disse. ''Ele não falou isso ainda no papel. Tive uma conversa com ele e ele me revelou isso. Não imagino que ele vá mudar o que aconteceu porque foi um fato acabado. Ele tem por exemplo, entre os documentos apreendidos, contratos em aberto que ele não recebeu. Cobrinha é credor do PT. Tenho uma relação de amizade com o Cobrinha. Vou estar ao lado do Cobrinha, como vou estar ao lado do beltrano, do fulano, porque vou acompanhar todas as oitivas pelo PT. Não orientei, não instrui'', concluiu o advogado.
O assessor executivo da Prefeitura de Londrina, Fábio Reali, citado pelo ex-motorista da campanha R.B. em depoimento prestado terça-feira à PF, negou que tivesse recebido qualquer valor em envelopes durante a campanha de um assessor do então deputado federal Paulo Bernardo (PT). ''Em momento algum eu peguei um centavo da assessoria de qualquer deputado, especialmente do deputado Paulo Bernardo. Também nunca fui pegar dinheiro no Twin Towers (onde funcionava um comitê da campanha). É uma tentativa caluniosa de tentar envolver a assessoria do deputado'', afirmou. ''O que está errado hoje estava errado há dez meses queria descobrir o que motiva esse cidadão a apresentar essa denúncia agora'', complementou Reali.

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