Advogado do PFL entrega defesa de Cassio
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segunda-feira, 15 de setembro de 2003
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O advogado do PFL, Olivar Coneglian, entregou ontem à Justiça as argumentações finais no recurso movido pelo Ministério Público (MP) estadual que acusa o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi, de ter omitido gastos de até 29,8 milhões em sua campanha à reeleição em 1999. Após elaborar seu voto, o relator Auracyr Azevedo de Moura Cordeiro deve levar o processo para ser julgado pela corte do Tribunal Regional Eleitoral, o que deve acontecer nos próximos 20 dias.
As suspeitas da realização de um caixa 2 na campanha de Cassio surgiram após uma reportagem publicada no jornal Folha de S. Paulo em novembro de 2001, baseada na reprodução do livro-caixa do contador do comitê do PFL, Francisco Paladino Júnior. Na defesa, Coneglian alega que os dados transcritos no caderno não correspondem à movimentação financeira do comitê. ''O caderno realmente existe, e foi manuscrito pelo contador. Mas isso não quer dizer que as informações contidas nele são verdadeiras'', afirmou.
Mesmo que o TRE julgue que a prestação de contas do PFL foi fraudada, o mandato de Cassio não está ameaçado. A única punição efetiva seria aplicada ao diretório do PFL municipal, que não poderia receber os valores do fundo partidário, verbas repassadas pela União aos partidos políticos. Pelo estatuto do PFL, a distribuição do fundo fica a critério da executiva nacional da sigla. Na maioria dos partidos, as verbas do fundo servem apenas para ajudar na manutenção das sedes dos partidos e nas despesas com pessoal.
O advogado do PFL ressaltou a diferença entre os valores transcritos no livro-caixa de Paladino e os valores apurados em um inquérito conduzido pela Polícia Federal. ''No inquérito, a polícia encontrou cerca de R$ 700 mil que supostamente não teriam sido declarados à Justiça Eleitoral. E mesmo esses valores serão contestados, inclusive na denúncia criminal movida contra o prefeito'', afirmou Coneglian, referindo-se à denúncia movida contra Cassio pelo procurador João Gualberto Garcez Ramos. O processo que ainda se encontra em sua fase inicial, acusa Cassio de ter sonegado informações na prestação de contas, crime que prevê reclusão de até cinco anos.


