Advogado do banco é acusado em outra ação
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de março de 1997
Agência Estado 
RIO - O advogado Fernando Orotavo, contratado pelo Banco Vetor para defendê-lo das acusações de fraude financeira, responde por crime do colarinho branco, estelionato e formação de quadrilha em processo instaurado na 13ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Ele é acusado de liderar um esquema semelhante ao escândalo dos precatórios, que em 1993 utilizou uma empresa laranja, a Fundação Sócio-Ecológica Xapuri, para lavar dinheiro obtido com operações irregulares no mercado financeiro.
Réu em ação instaurada com base em denúncias do Banco Central, Orotavo ameaça agora processar o BC por irregularidades no ato de liquidação do Vetor. O advogado sustenta que o banco não apresentava problemas financeiros que justificassem a medida.
Fernando Orotavo considera engraçada a notícia de seu envolvimento com o esquema Xapuri, no momento em que prepara a defesa Fábio Nahoum e Ronaldo Ganon. Segundo ele, a fase de acusação do processo já foi concluída sem que nenhum técnico do BC confirmasse a acusação. O advogado sustenta que a divulgação do caso é uma tentativa torpe de inibir o trabalho de defesa do Vetor.
Com base em relatório do BC, foram rastreadas as operações realizadas pela distribuidora Padrão com certificados de reflorestamento emitidos pela fundação Xapuri. Técnicos do BC conseguiram provar que os papéis, considerados um mico no mercado, eram usados em esquema de lavagem de dinheiro de operações fraudulentes.
Fernando Orotavo apareceu no caso da Xapuri, no primeiro momento, como advogado dos donos da distribuidora liquidada pelo BC. Na época, ele apresentou as mesmas alegações - de que o BC tomou uma decisão arbitrária - para mover ação contra o banco.
Com o avanço das negociações, concluiu-se que Orotavo era o mentor do esquema. Segundo ele, a Justiça já devolveu a distribuidora liquidada aos antigos donos, que só não reabriram por vontade própria. Afirmou não ter dúvida de que será absolvido.
Para Orotavo, os documentos demonstrando o envolvimento de Fábio Nahoum com o prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PPB), é uma coisa ridícula, que não preocupa o trabalho de defesa. Segundo ele, a carta de Pitta ao Banco do Brasil, autorizando a venda de títulos ao banco Vetor, é igual a pelo menos umas quinhentas que o então secretário de Finanças da Prefeitura paulistana teria assinado na época.


