Advogado diz que vai ao MP contra Delazari
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de abril de 2005
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O advogado de defesa do tenente-coronel Valdir Copetti Neves, preso por formação de quadrilha e tráfico de armas, Cláudio Dalledone Júnior, informou que protocolou ontem no Ministério Público (MP) estadual um pedido para que um promotor isento investigue o atentado sofrido por um dos integrantes da força-tarefa criada pela Central de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública (Cisesp) para investigar o crime organizado e grupos de extermínio. O secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, que é promotor de justiça licenciado, acusou policiais ligados a Copetti Neves de terem praticado o atentado. Dalledone Júnior protocolou também no Tribunal de Justiça um pedido para que Delazari prove outras acusações que fez sobre o tenente-coronel.
''A secretaria de Segurança não tem condições de fazer uma investigação isenta se este atentado realmente ocorreu'', afirmou Dalledone Júnior. ''Aquilo foi atentado para inlgês ver. Às 23 horas e sem disparo de arma de fogo'', alfinetou o advogado, que disse ainda que Copetti Neves vai processar Delazari por calúnia, injúria e difamação. O MP informou, por meio de sua assessoria, que ontem o pedido ainda não havia sido protocolado, mas que a partir do momento que desse entrada o órgão se torna obrigado a investigar. O funcionário do Cisesp, segundo Delazari, estaria, na hora do atentado, com a viatura descaracterizada usada pelo coordenador da Cisesp, delegado Harry Herbert, citado por Neves durante depoimento na CPMI da Terra como sendo um de seus inimigos políticos.
Ao Tribunal de Justiça Dalledone Júnior pediu que intime o secretário de Segurança a comprovar, dentro de 48 horas, as acusações que fez contra Copetti Neves. O advogado pede que Delazari esclareça quais as torturas praticadas pelo tenente-coronel e quais medidas foram tomadas pelas autoridades em relação a elas, que comprove que Copetti Neves fraudou documentos (mandados de reitegração de posse), que demonstre o envolvimento de Copetti Neves no homicídio do sem-terra Diniz Bento da Silva, conhecido como Teixerinha, que prove que o ex-policial está envolvido com tráfico de drogas, que comprove a falsidade dos documentos apresentados por Neves à CPMI da Terra e que prove se realmente o tenente-coronel foi condenado, já que Delazari o chamou de criminoso.
A reportagem da Folha não conseguiu no Tribunal de Justiça a informação se o pedido foi mesmo protocolado ontem. Já Delazari informou, por meio de sua assessoria, que ''não quer mais polemizar a história e que todas as declarações feitas por ele foram com base em documentos e fatos, ao contrário de Copetti Neves, que fez acusações pessoais sem documentos.''


