O advogado Paulo Nolasco negou que o prefeito de Londrina, José Joaquim Ribeiro (PSC), tenha ficado com R$ 50 mil, parte da propina que teria sido paga pela empresa G8, de São Caetano do Sul (SP), em 2010, depois de ter sido contratada por ''carona''. Conforme o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) revelou, Ribeiro prestou depoimento numa sala do Fórum de Londrina, na última segunda-feira, e confessou ter recebido R$ 150 mil para ''caixa de campanha''. O prefeito admitiu, ainda, ter dividido R$ 100 mil com o ex-prefeito Barbosa Neto (PDT) e com o ex-secretário de Fazenda Lindomar dos Santos (R$ 50 mil para cada).
Apesar do depoimento, Nolasco argumentou que o ex-vice-prefeito ''apenas repassou'' o dinheiro. Durante entrevista à imprensa ontem, no gabinete do prefeito, o advogado disse que ''Ribeiro não ficou com dinheiro algum, ele apenas repassou esse dinheiro, ele não teve proveito algum de qualquer coisa que tenha acontecido de errado''. Para Nolasco, as declarações dadas por Ribeiro aos promotores ''não têm validade'' porque ele não teria sido informado do que se tratava. ''Ele tem direito a advogado e tem de ser alertado sobre os direitos dele, ele não foi informado de nada e foi lá para um cafezinho, para uma conversa informal e ele, inocentemente, foi.''
Diante do que considera uma irregularidade no procedimento, o advogado afirmou que pretende entrar com pedido no Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná pedindo a anulação do depoimento. Nolasco também protocolou pedido no Ministério Público (MP) do Paraná para que o prefeito seja ouvido novamente. ''Ele nos informou que foi o promotor que telefonou para ele e disse: venha sem advogado, porque o advogado só serve para atrapalhar o senhor aqui e ainda é capaz de lhe tomar dinheiro.''
Paulo Nolasco admitiu que o prefeito atuou como ''intermediário'' quando pegou o dinheiro para entregar para pessoas do ''time'' do ex-prefeito Barbosa Neto (PDT). ''Talvez no calor da situação ele não tenha visto isso como ilicitude'', justificou.
Joaquim Ribeiro evitou agendas públicas e também não participou da entrevista com o advogado. Nolasco, porém, negou que o prefeito esteja se ''omitindo''. Sobre a ausência de Ribeiro no segundo depoimento, agendado para quarta-feira, com o delegado do Gaeco, o advogado disse que ''a promotoria marcou e ele não podia comparecer, não foi ele que agendou''. O Núcleo de Comunicação da prefeitura não soube dizer se o prefeito participaria do desfile de 7 de setembro, hoje.
O delegado do Gaeco, Alan Flore, afirmou que Ribeiro sabia perfeitamente sobre o que seria perguntado no depoimento que prestou na última segunda-feira, na sede da Promotoria de Inquéritos Policiais (PIP), que fica no Fórum. ''Ele agendou o depoimento com os promotores de Defesa do Patrimônio Público e sabia sobre quais fatos seria questionado'', relatou o delegado. ''É absolutamente absurdo acreditar que um homem instruído, com terceiro grau, experiente, vivido, prefeito de uma cidade como Londrina, não sabia que poderia estar assistido por um advogado.'' (colaborou Loriane Comeli)

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