O advogado Alberto Zacharias Toron voltou a afirmar ontem que se criou ‘‘uma onda de boatos’’ a respeito de seu cliente, Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo. Segundo Toron, o juiz não telefonou para a direção da Polícia Federal, em Brasília, dizendo que iria se apresentar.
O advogado também negou que Nicolau esteja doente. Ele afirmou que o juiz pretende apresentar-se somente após o julgamento do habeas-corpus no Tribunal Regional Federal. ‘‘O julgamento deverá ocorrer na primeira quinzena de agosto e o doutor Nicolau vai aguardar.’’
Toron ressaltou que ‘‘a sa© úde do juiz é boa’’ e que seu cliente não estaria desafiando nenhuma autoridade. ‘‘Apenas aguarda o pronunciamento da Justiça.’’ Segundo o advogado, a família do juiz está preocupada com ameaças de morte pela Internet contra Nicolau. ‘‘Estou tentando saber de onde partiram e quem seria o autor para adotarmos as providências’’, frisou.
Quanto ao teor da fita publicada pela revista ‘‘Istoɒ’, o advogado adiantou que Nicolau ficou surpreso. ‘‘Pode ter sido uma conversa informal e o texto publicado pode ter sido montado.’’
Na semana passada, Toron pediu à Justiça Federal, em São Paulo, para anexar a fita ao processo a que Nicolau responde. Mas ele se surpreendeu com a notícia de que a revista teria mandado apagar a voz de quem faz as perguntas ao juiz. ‘‘Nós já duvidávamos do conteúdo das gravações e, se a voz foi realmente apagada, não merecerá crédito.’’
A Polícia Federal apura o possível envolvimento de dois oficiais da reserva do Exército no esquema de proteção do juiz. Eles seriam seus amigos, que atuaram no serviço de informações. ‘‘Dizem muita coisa, mas posso garantir que tudo não passa de especulação’’, afirmou o advogado.

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