O advogado Newton Moratto acredita que a Justiça de São Paulo deverá extinguir a ação em que é acusado de ser depositário infiel. Um dos líderes do Movimento Pela Moralização na Administração Pública de Londrina, Moratto teve prisão administrativa decretada em junho pelo juiz da 1 Vara Cível do Foro Central de São Paulo, Francisco Antonio Bianco Neto. O caso se tornou tornou público apenas no início deste mês. ''O decreto prisional foi revogado e não há mais risco de prisão'', afirmou ontem.

Em 1992, Moratto financiou um veículo Gol da Autolatina e alguns meses depois vendeu o carro para um terceiro. Segundo o advogado, em 1995, 40% do total de prestações passaram a ser depositados em juizo em razão de um aumento abusivo no valor das prestações. Em outubro de 94, a Autolatina teria informado que o débito era de R$ 3,4 mil. ''Eu havia feito um depósito superior a esse valor, mas em dezembro de 95 cobraram R$ 8,6 mil'', afirmou.

Segundo o advogado, o juiz reconsiderou a decisão, reconhecendo que o valor da dívida está sendo discutido em outra ação. Disse ainda que recomprou o carro por R$ 5,5 mil e devolveu o veículo a Itaú Seguros, que está cobrando judicialmente a dívida. Ele garante que a ação não tem mais objeto.

Moratto se considera vítima de uma cultura existente no Judiciário, principalmente em São Paulo, onde os grandes grupos financeiros privados podem tudo. ''Eles compram a parte boas dos créditos e não assumem a parte podre. Veja o caso do Bamerindus: o HSBC comprou os créditos e não assumiu os débitos'', comparou. ''Eu tinha uma ação de consignação em juizo, mas não levaram em conta, faltou uma análise mais apurada''.

Segundo Moratto, esse tipo de ação é rotineiro e só teve repercussão por ele ser integrante do Movimento pela Moralização. ''Acredito que uma vez esclarecido, as pessoas irão entender'', afirmou.

Moratto também havia sido acusado pelo ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido) de falsificar carimbos do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). O advogado disse que havia perdido seus documentos, usados indevidamente na fraude. Ele está movendo uma ação de indenização por calúnia e difamação contra o ex-prefeito. (L.R.)

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