Advogado de Youssef pede habeas-corpus para doleiro
Curitiba O advogado do doleiro Alberto Youssef, Antônio Augusto Figueiredo Basto, disse que também deve apresentar o pedido de habeas corpus o mais rápido possível. Ele vai alegar que o juiz da Central de Inquéritos não teria competência para decretar a prisão, já que o processo envolve um ex-secretário de Estado. ''Isso vale para todos os envolvidos no processo'', sugeriu Basto. Ele disse que não sabia onde Youssef estava ontem.
Segundo Basto, Youssef ainda não prestou nenhum depoimento ao MP. ''Não vejo necessidade dessa prisão. Ontem (segunda-feira) encaminhei expediente ao MP de que Youssef queria depor e prestar esclarecimentos nesse fato. Se ele tivesse sido ouvido, as investigações tomariam outro rumo'', declarou.
O advogado sustenta ainda que Youssef não tem nenhuma ligação com a Copel nem com a Olvepar. ''Ele não é responsável por essa negociação com a Copel e não recebeu nenhum centavo dela'', acrescentou. Basto disse que o encontro de Youssef com o advogado Fioravante Pierruccini no Banco do Brasil, no dia em que a Copel efetuou os pagamentos, foi ''casual''.
A reportagem tentou falar com os advogados dos três funcionários da Copel que foram presos ontem. O delegado do Centro de Triagem, Clóvis Galvão, indicou uma pessoa chamada Fabrício para apresentar a defesa dos detidos. Fabrício não quis dar entrevista e não confirmou quem eram seus clientes.
A reportagem tentou falar com Fioravante Pierruccini, deixando recados com familiares e no escritório de advocacia onde trabalhava, mas não conseguiu localizá-lo. Também foram deixados recados para Mário Bertoni na casa dele, mas ele não retornou.
A empresa Rodosafra, de Luiz Sérgio da Silva, mandou nota explicando a operação e na qual afirma que os atos por ele praticados foram ''legais, legítimos e dotados da mais absoluta idoneidade''. A empresa sustenta que os créditos tributários da Olvepar eram válidos, assim como de outras empresas que conseguiram o benefício na Justiça.
A nota afirma que ''No caso específico da Olvepar, o processo não teve decisão definitiva, em função do pedido de desistência da autora Olvepar, com a concordância do Estado''. Sendo assim, a Olvepar continuava credora do Estado, sustenta a Rodosafra, e por isso ''não há como dizer que o crédito não existe, ou mesmo que foi inventado''.
A Rodosafra explica que os valores foram recebidos da Copel pelo advogado Pierruccini, constituído pelo síndico da massa falida como representante legal. ''O sr. Antônio Carlos, desde a falência, era identificado como gestor e representante da massa falida no Paraná'', afirma a nota. (R.F.)
Em depoimento ao MP e em entrevista à Folha há duas semanas, o advogado da massa falida da Olvepar, José Célio Garcia, disse que desconhecia qualquer operação com a Copel. Mas documentos aos quais a reportagem teve acesso mostram que ele assinou procurações para Luiz Silva e Pierruccini. A reportagem tenta há vários dias falar com Garcia ou com o síndico da massa, Vanilso de Rossi, mas eles não retornaram as ligações.





