Advogado de Youssef contesta revista
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2003
Cristiane Oya<br>Reportagem Loca 
O advogado do doleiro Alberto Youssef (Beto Youssef), João dos Santos Gomes Filho, de Londrina, criticou duramente, ontem, a reportagem da ''IstoÉ'', em que o doleiro é citado como um dos responsáveis pela lavagem de dinheiro através do Banestado em Nova York. ''É um absurdo, uma vergonha lamentável. Vou procurar as vias judiciárias contra as infâmias colocadas contra o Alberto'', afirmou Gomes.
Sobre a publicação do que seria a cópia de um fax encaminhado a Youssef pelo gerente do Banestado em Nova York, Ércio Santos, em 20 de agosto de 1996, comunicando a abertura da conta da empresa June International Corporation, e os procedimentos para a movimentação, Gomes disse ser ''normal''.
''É um documento do Banestado mandado para a June da qual ele (Youssef) era funcionário. Não comento o documento porque não está dentro do processo e está dentro da revista, que o obteve não sei de que forma'', argumentou. Conforme o fax, os documentos da conta da June seriam encaminhados para uma das agências do Banestado em Londrina, para que Youssef assinasse.
De acordo com a revista, o laudo da Polícia Federal (PF) aponta o ''envolvimento do advogado e procurador de Ricardo Sérgio, David Spencer, na abertura e movimentação da conta 1461-9, em nome da empresa June International Corporation''.
Gomes também refutou a afirmação contida na reportagem, de que Youssef teria em sua carteira ''principalmente dois tipos de clientes: narcotraficantes e políticos''. ''É um crime que cometeram contra o Youssef e a Polícia Federal. Se existisse essa ligação expúria, a polícia estaria agindo. Nem suspeita de envolvimento com narcotráfico ele (Youssef) tem'', afirmou o advogado.
Há pelo menos três anos, Youssef vem sendo citado, principalmente na imprensa local, por suspeitas de envolvimento em cerca de 35 inquéritos instaurados na PF, que apuram contas abertas no Banestado de Londrina, Cambé e Ibiporã, em nome de empresas fantasma.
Uma dessas contas, da empresa Freitas & Dutra, também foi investigada pelo Ministério Público (MP), e gerou a decretação da prisão preventiva de Youssef em dezembro de 1999. Conforme o MP, o doleiro seria o responsável pela conta em que foi depositado um cheque de R$ 120 mil, desviado da Prefeitura de Londrina. Youssef ficou cerca de vinte dias preso e foi liberado por um recurso no Supremo Tribunal Federal (STJ), que considerou inaplicável a preventiva.
O ex-funcionário público municipal João Edson Danziger, também teve a prisão decretada na mesma ação que Youssef por possível envolvimento na conta. Conhecido como ''João Boquinha'', ele também é indiciado em pelo um de dois inquéritos da PF, que investigam a remessa de R$ 6,5 milhões ao exterior, através de contas CC-5.


