Advogado de SC assume presidência da OAB
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de janeiro de 2004
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba Pela primeira vez em sua história, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) terá um presidente nascido na Região Sul. O advogado radicado em Ponta Grossa, Roberto Antonio Busato, tomará posse no dia 1º de fevereiro em Brasília, com o desafio de tentar incluir o controle externo da magistratura no projeto de reforma do Poder Judiciário que será votado este ano no Congreso Nacional. O tema, que mexe com os ânimos dos magistrados brasileiros, é uma reivindicação da OAB desde 1993, e foi recentemente defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Candidato único ao cargo, Busato será referendado nesse domingo pelas 27 seccionais da OAB espalhadas pelo Brasil. Nascido em Caçador (SC), Busato será também o mais jovem presidente da história da OAB, com 49 anos. De acordo com Busato, essa capacidade de renovação é que mantém a OAB como uma instância ativa politicamente até hoje. ''A Ordem sempre foi independente e apolítica, e constamente está em renovação. Outras entidades civis, como a Associação Brasileira de Imprensa, não têm mais a mesma influência que tinham no passado por não terem conseguido manter essa independência em algum momento de sua trajetória'', acredita Busato.
A decisão da OAB de lutar por um controle externo da magistratura reflete o pensamento de Busato. O tema é polêmico, com muitos magistrados acreditando que um controle poderia significar o fim da independência do Judiciário. ''Na verdade, o controle busca justamente evitar que haja pressões sobre o trabalho do juiz, fazendo assim com que ele possa agir com mais independência. Como funcionário público, o juiz está submetido a pressões de seus superiores, o que é prejudicial. O controle externo busca evitar essa interferência, aplicando punições a quem não agir de forma ética'', argumentou.
Além de defender a reforma do Judiciário como forma de mais credibilidade e agilidade à Justiça brasileira, Busato acredita que a própria OAB precisa passar por reformulações internas para manter seu prestígio. O novo presidente da Ordem destaca o processo eleitoral nas seccionais da OAB como um dos pontos que fragiliza o órgão. ''As eleições se tornaram tumultuadas, com vários candidatos derrotados tentando impugnar na Justiça o resultado das urnas. Além disso, os gastos com as campanha têm sido exacerbados. Esse quadro fragiliza a ordem perante à sociedade. Vamos conversar com os maiores especialistas de Direito eleitoral para podermos reformular o sistema de eleições dentro da OAB'', afirmou Busato.


