Advogado de Paolicchi diz ter ''surpresa''
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sexta-feira, 09 de fevereiro de 2001
Marcos Zanatta De Maringá 
O advogado Wagner Pacheco, um dos defensores do ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, prometeu para hoje uma surpresa. Ele deu a declaração ontem, durante audiência das testemunhas do seu cliente na Justiça Federal, e não deixou claro do que se trata. Mas deu a entender que papéis apreendidos com Paolicchi vão comprovar o envolvimento do ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido) no desvio de dinheiro da prefeitura.
Ontem, oito testemunhas dos servidores Jorge Aparecido Sossai, Rosimeire Castelhano Barbosa e Waldemir Ronaldo Corrêa foram ouvidas pelo juiz da Vara Criminal Federal, Anderson Furlan Freire da Silva. Durante o depoimento do empresário Luiz Aparecido Tel, o advogado de Paolicchi conseguiu mostrar que impressos da gráfica dele eram entregues em vários departamentos da prefeitura.
Pacheco pediu então para o juiz apresentar os papéis apreendidos com Paolicchi. O empresário confirmou que alguns impressos eram de sua gráfica. São papéis que circulavam pelo gabinete do prefeito, afirmou depois o advogado. Ele não quis explicar melhor a ligação dos impressos com os desvios, mas adiantou que se comprovar o esperado, não será mais necessária a perícia pedida pela defesa.
Outro depoimento que apresentou alguma novidade foi do auditor fiscal aposentado Dorival Silva Cavalcanti, responsável pela declaração de imposto de renda (IR) de Paolicchi desde 1997. Segundo ele, desde 1999 Paolicchi pediu para incluir na declaração duas contas de Corrêa. Uma delas seria usada por Paolicchi para depósitos de dinheiro desviado da prefeitura, conforme comprovou o Ministério Público (MP).
Cavalcanti disse ainda que investimentos na Mineradora de Águas Rainha, de Paolicchi, não foram declarados no IR. Foi um desencontro de informações porque os valores foram declarados normalmente no imposto da pessoa jurídica. Ele confirmou que Paolicchi foi autuado duas vezes, mas, sem explicar os motivos, disse que os débitos foram negociados e são pagos em dia ao fisco.
A servidora municipal Ligia Regina Paiva Leocádio foi a única a dizer que viu indícios de riqueza em Paolicchi. Pelos carros e roupas dele. Outro funcionário municipal, Osvaldo Ribeiro Moraes, apenas disse conhecer os quatro réus. O engenheiro Miro Falkemback, ex-secretário de Planejamento, o coronel do Corpo de Bombeiros, Wilson Afonso Ennes, o empresário Sérgio Bertoni e Ermelindo Benedito Duarte confirmaram que conhecem os três servidores.
Uma das testemunhas apontadas pela defesa de Paolicchi, Midori Kawfa, agente de crédito do Banco do Brasil em Brasília, foi ouvida por carta precatória. Ela disse não conhecer Paolicchi e que apenas sabe que sobre um débito que ele pagou com duas fazendas que possuía no Mato Grosso.
Na Justiça Federal Paolicchi, Sossai, Rosimeire e Corrêa respondem ação por peculato, formação de quadrilha, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Segundo o juiz, o processo estará concluído até o final de março.


