A defesa do vereador Rodrigo Gouvêa (PRP), preso desde a noite de terça-feira passada em uma cela especial do Centro de Detenção e Ressocialização de Londrina (CDR), entrou ontem com nova medida judicial em primeira instância a fim de reverter o decreto de prisão expedido pela juíza da 4 Vara Criminal, Carla Pedalino. À juíza, o advogado Nilton Roberto Silva Simão protocolou de manhã pedido de providências para que seja ouvida, em juízo, uma suposta testemunha ocular da ameaça que o Ministério Público (MP) afirma que Gouvêa teria praticado contra seu ex-chefe de gabinete, Sérgio Dicezar da Costa. A testemunha citada é o atual assessor de gabinete do vereador, Fernando César de Barros. Hoje de manhã, nova tentativa de reversão deve ser feita por meio de um habeas corpus no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR).
A prisão decretada pela juíza da 4 Criminal teve por base argumento do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) conforme o qual Gouvêa teria feito ameaças a Costa, em junho passado, no curso de uma investigação sobre suposta contratação de assessora ''fantasma''. O ex-chefe de gabinete registrou boletim de ocorrência relatando a abordagem que teria sofrido por parte do vereador.
Segundo o advogado Nilton Simão, contudo, a ''única testemunha dessa suposta ameaça não foi ouvida - o Fernando''. ''No boletim de ocorrência o próprio Silvio admite a presença do Fernando no momento em que teria sido abordado pelo Rodrigo; então, como que a única fonte para depoimento, nesse caso, é o ex-chefe de gabinete?'', questionou. Indagado se Barros, uma vez hoje lotado no gabinete do denunciado em cargo de confiança, teria a isenção necessária para servir de testemunha ocular do fato, o advogado respondeu: ''Se o Sílvio foi exonerado e é inimigo de assessores que ficaram, assim como do Rodrigo, teoricamente também não seria isento para embasar uma denúncia como a que ele fez. Se o Fernando não é isento, ele também não é - mas que apresente uma prova da ameaça que diz ter sofrido'', desafiou.
Até o final do expediente forense a juíza não havia ainda se manifestado sobre o pedido de oitiva do assessor, em juízo, tampouco sobre a revogação da prisão, feito na véspera pelo outro advogado de defesa. No cartório local, a informação era que a magistrada dependia de parecer dos promotores do Gaeco sobre a medida da defesa. Outra manifestação judicial também é aguardada para hoje, ou, no máximo, início da semana que vem: a do pedido de liminar do MP pelo afastamento de Gouvêa, mas dentro de ação civil pública de improbidade administrativa, protocolada no último dia 8, referente também ao caso da suposta contratação de assessora ''fantasma'' e constrangimento ilegal a testemunha. A medida está sendo apreciada pela juíza da 7 Vara Cível, Telma Regina Magalhães Carvalho.

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